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Irmãos Grendene doam a candidatos adversários nas eleições de 2026
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Irmãos Grendene doam a candidatos adversários nas eleições de 2026

Alexandre e Pedro Grendene Bartelle financiaram campanhas do PT e do PSDB no Ceará e também apoiaram candidatos de outros partidos.

Os irmãos Alexandre e Pedro Grendene Bartelle doaram, juntos, mais de R$ 7,4 milhões a candidatos nas eleições de 2026. Entre os beneficiados estão Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição ao governo do Ceará, e Ciro Gomes (PSDB), que também disputa o cargo.

Elmano recebeu R$ 1 milhão de Pedro Grendene. Ciro recebeu R$ 1 milhão, dividido entre os dois irmãos: R$ 500 mil de Pedro e R$ 500 mil de Alexandre. Os candidatos estão tecnicamente empatados no 1º turno, segundo a última pesquisa do Datafolha.

Alexandre, que preside o conselho da Grendene, destinou mais de R$ 3,9 milhões a seis candidatos de seis partidos. O maior repasse individual foi de R$ 2,5 milhões para Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul. Pedro doou R$ 3,5 milhões a seis candidatos de quatro partidos: PT, PL, PSB e PDT.

A Grendene fabrica marcas como Melissa, Rider e Ipanema. Fundada em 1971, em Farroupilha, a empresa transferiu o grosso da produção para o Ceará nos anos 1990. Atualmente, mantém 11 fábricas no estado: seis em Sobral, duas em Fortaleza e duas em Crato, além de uma fábrica de PVC e centros de distribuição.

A empresa emprega cerca de 16 mil pessoas e registrou R$ 1,4 bilhão em receita bruta no primeiro semestre de 2026. A Grendene não respondeu ao pedido de comentário sobre os critérios das doações até o fechamento do texto.

Estratégia de apoio a adversários

O cientista político Bruno Wilhelm Speck afirma que a distribuição de recursos entre candidatos adversários pode reduzir o risco político do doador. A estratégia diminui a capacidade de influenciar diretamente o resultado, mas amplia a possibilidade de manter relações com o governo eleito.

O empresário Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, adotou procedimento semelhante. Ele doou R$ 1 milhão, dividido igualmente entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 500 mil para cada candidato.

Juliana Sakai, diretora da Transparência Brasil, afirma que doações para os dois lados já ocorriam antes da proibição do financiamento empresarial, em 2015. Em 2014, a JBS distribuiu recursos para Dilma Rousseff (PT), Marina Silva, então no PSB, e Aécio Neves (PSDB).

Mudança no financiamento eleitoral

A legislação passou a proibir doações empresariais e ampliou o financiamento público das campanhas. Os empresários continuam podendo doar como pessoas físicas, dentro dos limites legais, mas os valores são menores que os registrados antes da mudança.

A JBS doou R$ 362 milhões em 2014. Em 2026, o maior doador pessoa física citado é Rubens Ometto, com R$ 6,1 milhões. Para Speck, o risco de influência econômica não desapareceu, mas ocorre em escala menor.

Teresa Sacchet, professora da UFRGS, afirma que o financiamento público aumentou a competitividade eleitoral e contribuiu para o crescimento da representação feminina na Câmara, de 10% para 15% entre 2014 e 2018. Entre 2018 e 2022, a participação passou a 17,7%. Ela também defende um teto nominal para doações e critica a regra de autofinanciamento de 10% do teto de gastos.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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