PIAUÍ — Rafael Fonteles (PT) foi reeleito governador do Piauí com 70% dos votos neste domingo (4/10), a maior votação em disputas estaduais no país neste ano. Aos 41 anos, ele é visto por colegas de partido e analistas como um petista pragmático, ligado a uma ala mais liberal e defensor de alianças com partidos de centro.
O nome de Fonteles passou a ser citado dentro do PT como possível candidato a cargos nacionais, inclusive numa eventual sucessão de Lula. Os ex-ministros José Dirceu e Fernando Haddad apontaram o governador quando foram questionados sobre o futuro do partido. Haddad afirmou: “O Rafael Fonteles é um quadro que vai despontar no Brasil”.
Fonteles, porém, evita falar sobre planos fora do estado. “Nosso foco é totalmente o Piauí”, disse. Em outra ocasião, defendeu a formação de alianças amplas para conquistar a maioria dos eleitores. Para ele, “a frente ampla é fundamental”.
Trajetória política
Filho do ex-deputado Nazareno Fonteles, Rafael começou na política em 2015, quando foi convidado por Wellington Dias para assumir a Secretaria da Fazenda. Antes disso, estudou matemática, criou um cursinho pré-vestibular e atuou como empresário e consultor de investimentos.
A escolha de Fonteles para suceder Dias marcou a chegada de um perfil mais técnico ao comando do estado. Segundo o cientista político Vitor Sandes, ele construiu uma imagem de gestor voltado à atração de investimentos e à execução de projetos.
Entre os resultados associados ao primeiro mandato estão avanços na educação e ações de segurança pública com uso de tecnologia. O Piauí é apontado como o estado menos violento do Nordeste pelo índice de homicídios do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A segurança é considerada por Fonteles um dos fatores de sua aprovação. A gestão também priorizou técnicos de confiança, que passaram a ser chamados de “Rafa boys”.
Apoio e críticas
O PT do Piauí tem ligação política com Wellington Dias, atual ministro do Desenvolvimento e Assistência Social e coordenador da campanha de Lula. O estado deu a maior votação a Lula em 2022, com 74,3% dos votos.
Apesar da aprovação, Fonteles é criticado por viagens internacionais e pelos gastos relacionados a elas. Também enfrenta questionamentos sobre o porto de Luís Correia e o projeto de hidrogênio verde previsto para a região de Parnaíba.
O governador afirma que as viagens têm como objetivo atrair investimentos. Sobre o porto, o governo anunciou o início da fase operacional após a chegada de um navio exportador de minério de ferro, mas a dragagem do canal de acesso ainda não havia sido concluída. O projeto de hidrogênio verde não entrou em operação e enfrenta decisões judiciais relacionadas a questões ambientais.
Dentro do PT, Fonteles é descrito como mais liberal e favorável à concessão de serviços. Para Vitor Sandes, esse perfil permite que o governador dialogue também com setores conservadores e liberais.









