BELO HORIZONTE — A ocorrência envolvendo a candidata petista a deputada federal por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva, foi registrada como ameaça e injúria racial. O caso também é tratado pela equipe jurídica da campanha como possível violência política de gênero associada à violência racial.
O Boletim de Ocorrência foi feito na 142ª Companhia da Polícia Militar. A classificação inclui ameaça, com referência ao art. 147 do Código Penal, e injúria racial. O registro informa que o meio utilizado foi eletrônico, por internet ou SMS.
Ana Elisa apresentou prints das mensagens em uma base comunitária móvel e relatou ter recebido anteriormente outro e-mail com conteúdo semelhante. Os textos enviados continham ameaças racistas de morte e estupro, além de referências a grupos extremistas. O remetente dizia integrar um grupo supremacista branco, mencionava dados pessoais da candidata e também ameaçava familiares.
A candidata tem 21 anos, é preta e nasceu em Divinópolis, na região Central de Minas Gerais. As mensagens foram encaminhadas às autoridades como notícia de crime.
A campanha decidiu não divulgar o conteúdo completo nem informar publicamente qual grupo foi citado pelo autor. Também pediu que apoiadores e outras pessoas que tiveram acesso ao material não reproduzam nem compartilhem as mensagens.
Em parecer técnico jurídico, assinado pela equipe da campanha e pela advogada Dra. Maria Júlia A. Alvim — OAB/MG 240.536 —, o episódio é descrito como crime, e não como debate político. O documento aponta indícios de ameaça, racismo e violência política de gênero, prevista na legislação eleitoral quando a agressão tenta impedir ou restringir a participação política de uma mulher por causa do gênero.
As medidas policiais e judiciais foram adotadas, incluindo ações para identificar o autor. A campanha informou que detalhes foram preservados para não comprometer a apuração e colocou a equipe jurídica à disposição de candidatas que tenham recebido ameaças semelhantes.








