Uma mulher que recebeu uma carta atribuída à médium Maira Rocha afirma ter encontrado na mensagem informações erradas e dados copiados de fontes disponíveis na internet. Eduarda, nome fictício usado para preservar a identidade da vítima, contou que percebeu as inconsistências depois da emoção inicial ao receber o texto.
Ela passou a frequentar a Casa de Caridade Inácio Daniel em 2019, acompanhada das duas filhas e de uma irmã. No local, os interessados escreviam os nomes em um livro e aguardavam a eventual entrega de uma psicografia. A carta da família foi recebida no dia 4 de maio.
Entre os problemas identificados, estava a data de nascimento do pai de Eduarda, Felipe, também nome fictício. A carta registrava o dia 5 de março, embora ele tivesse nascido no dia 16. O primeiro número, porém, aparecia em um obituário publicado na internet.
A mensagem também citava os filhos adotivos do falecido pelos primeiros nomes, Ezequiel e Julia. Segundo Eduarda, os dois sempre foram chamados de Gustavo e Amanda. Ela ainda afirmou que Julia havia conseguido retirar esse nome do registro de nascimento antes de morrer, após uma decisão judicial.
A mulher disse ter descoberto que os nomes apareciam na mesma ordem do inventário feito depois da morte do pai. A carta também chamava uma tia de Luciana, embora a família a conhecesse como Lulu, e atribuía ao falecido as profissões de médico e eletricista, que ele nunca exerceu, segundo o relato.
Denúncia à Federação Espírita
Depois de analisar o conteúdo, Eduarda procurou a Federação Espírita do Distrito Federal. Ela afirmou que questionar informações e buscar a verdade fazem parte da doutrina espírita e não significam negar a mediunidade.
A federação já havia declarado que fazer perguntas não é errado. Eduarda, que segue o kardecismo, disse ter buscado a entidade porque considerou que os erros da carta coincidiam com informações disponíveis na internet.
Outras pessoas também relataram mensagens com trechos retirados de publicações em redes sociais, documentos e fontes abertas. Há acusações de que as psicografias reuniriam dados sobre os enlutados sem apresentar informações inéditas.
Vítimas afirmaram ainda ter medo de represálias e relataram registros de boletins de ocorrência e ações nas áreas cível e criminal contra críticos. Uma mulher que perdeu o marido disse ter tido crise de pânico e afirmou que a situação causou um trauma psicológico.
Maira Rocha é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, localizada na Área de Desenvolvimento Social de Águas Claras, no Distrito Federal. Ela foi procurada, mas não quis se manifestar sobre as acusações e afirmou que processaria o veículo responsável pela apuração.








