BELO HORIZONTE — O Cemitério do Bonfim reúne patrimônio histórico, arquitetura, manifestações artísticas e relatos ligados à formação de Belo Horizonte. O espaço também é estudado por pesquisadores que trabalham com a preservação da memória da capital mineira.
A historiadora e professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) Marcelina das Graças de Almeida pesquisa cemitérios há mais de 30 anos. Para ela, o Bonfim concentra diferentes elementos da história da cidade e tem 129 anos de trajetória.
“A arquitetura tumular em si traduz uma gramática própria”, afirma Marcelina. Segundo a historiadora, os estilos presentes nos túmulos acompanham diferentes períodos da história da cidade e do próprio cemitério.
Visitas guiadas e locais de interesse
Desde 2012, Marcelina participa do projeto “Visita Guiada ao Cemitério do Bonfim”, feito em parceria entre a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica e a UEMG. Os roteiros são realizados no último domingo de cada mês e abordam temas específicos.
Entre os pontos incluídos nas visitas estão o prédio do necrotério, o túmulo do Padre Eustáquio e o jazigo da Irmã Benigna. A historiadora recomenda que os participantes percorram todos os túmulos previstos, porque cada um preserva histórias próprias.
O cemitério também abriga túmulos de devoção marginal, que recebem peregrinações sem relação com um santo. Um deles é o de Marlene Maria dos Santos, conhecida como Menina Marlene. O local reúne brinquedos, folhetos com orações e outros objetos deixados por pessoas que atribuem a ela graças, principalmente curas.
De acordo com Marcelina, os pedidos de milagres no túmulo ocorrem desde 1950. Não há uma explicação definida para o início da peregrinação. Relatos familiares afirmam que Menina Marlene morreu de insuficiência renal, enquanto outras histórias mencionam uma morte violenta. Ela morreu aos 13 anos.
O túmulo do Padre Eustáquio também recebe visitas da comunidade católica. Ele morreu em 1943, e seus restos mortais foram levados ao santuário dedicado a ele, no bairro de mesmo nome. Padre Eustáquio foi beatificado em 15 de junho de 2006, após a Santa Sé reconhecer uma cura atribuída à sua intercessão.
Irmã Benigna morreu em 1981. Seu túmulo é usado para peregrinações e tem uma urna onde visitantes podem deixar pedidos. Mineira de Diamantina, ela nasceu em 1907.
Próximos roteiros
As próximas visitas terão os temas “Paisagem: leituras e interpretações do espaço cemiterial”, em 27/09; “Personalidades políticas no Bonfim”, em 18/10; e “Arte e artistas no espaço cemiterial”, em 29/11. As inscrições devem ser feitas pelo Portal de Serviços da PBH, e o link fica disponível 10 dias antes de cada visita.
Para Marcelina, o projeto também propõe uma reflexão sobre a vida e a memória. “Aproveitar o dia, aproveitar a vida, pois o nosso destino é a morte”, resume a historiadora.








