O iFood aplicou 1,6 mil sanções a clientes e lojas entre janeiro e julho deste ano, período em que recebeu 1.188 relatos de violência contra entregadores. A média foi de 5,6 ocorrências por dia.
Entre os quase 1,2 mil registros, cerca de 300 informaram a motivação. Nesse grupo, três a cada quatro relatos mencionaram discriminação ou ameaça. Agressões físicas apareceram em um quarto das anotações, e uma mesma queixa pode reunir mais de um tipo de ocorrência.
Casos registrados
Em janeiro deste ano, entregadores relataram violência, ameaças, enforcamento e danos às bicicletas praticados por agentes de segurança no Metrô Santo Amaro (SP). Em março, um motoboy foi ofendido por um morador do Sudoeste, em Brasília, após uma discussão sobre a ausência de um refrigerante no pedido.
Também houve casos fora desse período. Em agosto de 2025, uma briga por pagamento via Pix deixou um entregador com a cabeça sangrando, em Fortaleza (CE). Em novembro de 2025, uma servidora do Tribunal de Justiça de Goiás agrediu um motoboy com tapas no rosto, em Goiânia.
A violência também aparece em casos que ganharam repercussão. Em 31 de julho de 2020, Matheus Pires Barbosa, de 19 anos, sofreu racismo durante uma entrega em Valinhos (SP). O cliente foi banido do aplicativo e processado, mas acabou absolvido pela Justiça após alegar esquizofrenia.
Em 9 de abril de 2023, Sandra Mathias agrediu o entregador Max Ângelo dos Santos com a guia do cachorro, depois de insultar motoboys em uma calçada. Ela cumpre 4 anos de prisão em regime aberto, e o processo cível sobre indenização começará a ser julgado ainda neste ano.
Apoio e segurança
O IBGE informou, no dia 4 deste mês, que o Brasil tinha, em 2025, 1,959 milhão de trabalhadores por aplicativo. Desse total, 585 mil usavam aplicativos de entrega de comida e produtos, e 376 mil foram identificados como entregadores.
O iFood criou uma Política de Combate à Discriminação e Violência, com apoio psicológico e jurídico sem custos. “O maior legado é o entregador não se sentir só dentro de um caso de discriminação ou violência que ele venha a sofrer (…).”, disse Johnny Borges, diretor de Impacto Social da empresa.
A 99 Food afirmou adotar tolerância zero contra discriminação, violência e ofensas. A empresa mantém uma Central de Segurança 24 horas e informou que apura as denúncias, com assistência médica e psicológica conforme o tipo de ocorrência.
A Keeta declarou ter uma central de segurança 24h para incidentes envolvendo entregadores parceiros. A plataforma disse investigar reclamações de comportamentos antiéticos e tomar medidas conforme suas políticas internas e termos de uso.








