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Investigação aponta uso de redes sociais em cartas atribuídas a Maira Rocha
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Investigação aponta uso de redes sociais em cartas atribuídas a Maira Rocha

Relatos à Polícia Civil do Distrito Federal indicam que clientes aguardavam até 68 dias pelas mensagens psicografadas.

Pessoas que receberam cartas atribuídas à médium Maira Rocha afirmam que os textos reuniam informações encontradas em redes sociais e outras fontes públicas. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o caso em um inquérito.

Maira é fundadora da Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada na Área de Desenvolvimento Social (ADE) de Águas Claras. O centro informa que o serviço é gratuito e que não existe garantia de entrega: a pessoa insere o nome em um livro durante uma sessão e precisa participar de outro evento.

Relatos sobre as mensagens

Uma das famílias identificou trechos de uma carta semelhantes a publicações no Facebook. O texto atribuído à mãe falecida repetia uma lembrança sobre ensinar a oração Salve Rainha com uma régua. Também mencionava uma neta que, segundo os parentes, não existia e usava um apelido que a família dizia não ser empregado pela falecida.

Os parentes encontraram ainda referências a uma comunidade de ciclistas, a uma formatura e a uma comparação física entre mãe e filho. Em outro caso, uma mensagem atribuída a uma avó citava uma festa de 15 anos e pedia que o cabelo de um neto não fosse mais pintado. As informações apareciam em publicações antigas feitas quando ela ainda estava viva.

Uma família levou as suspeitas à PCDF. Outra mulher, identificada como Fábia, contou que ela e as irmãs perderam os pais e receberam mensagens por meio de Maira. Depois, perceberam nomes usados conforme os perfis nas redes sociais, além da ausência de um neto e da inclusão de uma pessoa que não existia.

Em uma das cartas, a médium teria afirmado que uma mulher participou, em espírito, do casamento do filho. A família observou que a mãe ainda estava viva quando o casamento ocorreu. Também encontrou uma frase que parecia relacionada a uma busca pelo CNPJ de uma loja da família.

Prazos e investigação

Os registros relatados pelas vítimas indicam intervalos diferentes entre a inscrição e a entrega. O menor prazo mencionado foi de 21 dias: os dados foram fornecidos em 1º de julho de 2023, e a carta chegou em 22 de julho do mesmo ano.

A maior espera chegou a 68 dias. A inscrição na Casa de Caridade Inácio Daniel ocorreu em 22 de novembro de 2021, e a mensagem foi recebida em 29 de janeiro do ano seguinte. Pessoas que participaram de uma sessão em 28 de agosto de 2024 disseram ter se inscrito com 63 dias de antecedência.

Em uma denúncia, o grupo afirmou que as cartas já estavam prontas e traziam detalhes que poderiam ser obtidos em redes sociais, processos judiciais, inquéritos, notícias e outras consultas públicas. “Maira Rocha demonstrou um comportamento premeditado”, diz o documento.

Maira também é acompanhada por 771 mil seguidores no Instagram. Procurada, afirmou que não queria se manifestar e ameaçou processar quem divulgasse denúncias. A Casa de Caridade Inácio Daniel mantém a explicação de que a mensagem só é entregue quando houver permissão para que o ente querido a dite.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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