EMBU DAS ARTES — A Polícia Civil investiga a morte de Larissa da Cruz Morata, técnica em radiologia encontrada com um tiro na cabeça na suíte da casa onde morava com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva. A arma usada estava sob o corpo da vítima.
Vinicius, de 26 anos, disse em depoimento que ele e Larissa, de 29, conversaram sobre o fim do relacionamento horas antes do disparo. A defesa sustenta que houve suicídio e afirma que vai entregar aos investigadores mensagens nas quais Larissa teria mencionado pensamentos relacionados a tirar a própria vida diante de uma possível separação. A família dela contesta essa versão.
Prisão e perícias
O policial foi preso temporariamente na tarde desta segunda-feira (7/9), durante o velório da esposa. A detenção foi feita pela Corregedoria da PM. Depois de passar pela delegacia de Embu das Artes, Vinicius foi levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Ele é investigado por feminicídio.
O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita, com indicação de “dúvida razoável” sobre a possibilidade de suicídio. A Polícia Civil solicitou exames residuográficos nas mãos do casal, perícia no imóvel e uma reconstituição da dinâmica do disparo. O revólver, o carregador, as munições e o estojo deflagrado foram apreendidos e encaminhados ao Instituto de Criminalística. O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal.
A delegada responsável, Bruna Cripa, afirmou que elementos periciais divergiram da primeira versão apresentada pelo soldado. Larissa foi atingida perto do ouvido esquerdo, e familiares dizem que ela não era canhota. A polícia deve analisar a trajetória do tiro e as posições da arma e da vítima.
Testemunhas foram ouvidas. A irmã de Vinicius estava na residência quando o disparo ocorreu e cuidava do filho do casal, de 2 anos. A Secretaria de Segurança Pública informou que a prisão foi decretada após a apuração apontar indícios de infração penal, considerando a dinâmica dos fatos e os elementos reunidos inicialmente.
Versões da família e da defesa
A avó de Larissa, Maria Aparecida Morata, declarou acreditar que a neta foi vítima de feminicídio: “Ele matou ela. Ele matou porque mexia muito com o psicológico dela”. A família também afirma que a técnica em radiologia tinha planos pessoais e não estaria enfrentando uma separação.
A defesa classificou o caso como uma “fatalidade” e afirmou que Vinicius relatou desde o início que Larissa havia tirado a própria vida. O advogado diz que o casal terminou no domingo, mas mantinha uma boa relação e dividia os cuidados com o filho, sem histórico anterior de violência.
Segundo a defesa, a irmã do policial acionou o 190 e o atendimento de emergência, avisou a família de Larissa, permaneceu no imóvel até a chegada das autoridades e foi à delegacia. O advogado também afirma que serão entregues conversas entre Larissa e familiares de Vinicius para ajudar a esclarecer a dinâmica da morte.








