BRASÍLIA — Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro adotaram estratégias diferentes nos primeiros 20 dias da campanha presidencial de 2026. Entre 16 e 31 de agosto, Lula combinou compromissos de governo com atividades eleitorais, enquanto Flávio concentrou viagens e eventos públicos no Sudeste.
O levantamento considerou as agendas divulgadas pelas assessorias dos candidatos e os compromissos publicados nos sites oficiais das campanhas. Lula participou de 17 compromissos no período. Nove deles foram eventos institucionais do governo, e Brasília apareceu como o local mais frequente.
Durante a agenda, o presidente anunciou medidas voltadas ao consumidor, como a regulamentação da fiscalização do cambismo digital na venda de ingressos e a isenção da taxa de importação para compras internacionais de até US$ 50, chamada de "taxa das blusinhas". As iniciativas têm como principal público o eleitor de renda mais baixa, faixa em que Lula registra os melhores índices na pesquisa Real Time Big Data de julho.
Mobilização de rua
Flávio Bolsonaro concentrou a campanha em carreatas, motociatas, comícios e encontros com aliados. A estreia ocorreu em um trio elétrico na Praia de Copacabana. Depois, o candidato alternou compromissos entre São Paulo, Rio de Janeiro e cidades do interior nordestino. A agenda oficial indicava atividades até 4 de setembro.
O senador também tratou de segurança pública em uma reunião com o ministro da Justiça de El Salvador. O país é citado como referência internacional no discurso da direita brasileira sobre o combate ao crime organizado.
A campanha de Flávio ainda buscou aproximação com lideranças religiosas e empresariais. Na pesquisa BTG/Nexus de segundo turno, divulgada em junho, ele aparece com 59% das intenções de voto entre evangélicos, contra 34% de Lula. Entre católicos, Lula lidera na hipótese de segundo turno.
Lula esteve na Bahia, onde tem 33 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, e também fez campanha em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Nesses dois estados, as pesquisas apontam empate técnico ou vantagem para o senador do PL.
Flávio concentrou compromissos em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de visitar Minas Gerais. Nesses estados, ele aparece à frente de Lula nos levantamentos mais recentes. O Sudeste reúne 66,3 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, o equivalente a 41,78% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.








