Luiz Inácio Lula da Silva defendeu mudanças no funcionamento do Judiciário e a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao SBT, realizada no Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que a permanência prolongada de magistrados pode concentrar poder na Corte.
“Eu, sinceramente, hoje acho que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, disse Lula nesta quinta-feira (10/9).
O presidente também relacionou a discussão à crise institucional envolvendo ministros do STF. Para ele, é necessário estabelecer critérios para limitar a atuação de integrantes do Judiciário. Lula declarou ainda estar satisfeito com medidas adotadas pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, mas defendeu o avanço das investigações sobre possíveis irregularidades.
“Todo mundo tem que ser investigado. Do presidente da Suprema Corte ao presidente da República”, afirmou. Lula citou suspeitas relacionadas ao Banco Master e ao Escândalo do INSS e defendeu uma apuração ampla sobre integrantes da Corte.
Decisões sobre o comando da PF
Na quarta-feira (9/9), Fachin suspendeu decisões monocráticas de André Mendonça e Flávio Dino sobre a permanência de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Fachin também convocou o plenário do STF para discutir o caso na próxima terça-feira (15/9).
A crise se intensificou após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mendonça retirou o sigilo de documentos do caso, que indicaram conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Os dois ministros passaram a pedir investigações sobre a conduta um do outro.
Na terça-feira (8/9), Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. A decisão mencionou relatórios encaminhados a Moraes entre 3 e 31 de agosto de 2026 e afirmou que Andrei era monitorado ilegalmente havia mais de 30 dias.
No dia seguinte, Dino determinou a reintegração de Andrei e Leandro aos cargos. Fachin suspendeu as decisões relacionadas ao comando da PF e encaminhou o impasse para análise do plenário do Supremo.








