DISTRITO FEDERAL — Thais de Araujo Tavares, de 29 anos, morreu em 27 de maio de 2022 após sofrer uma insuficiência respiratória aguda causada por tromboembolismo pulmonar. A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) relacionou o caso ao uso de anabolizantes produzidos clandestinamente pela New Science, empresa atribuída a Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya.
Thais chegou à Unidade de Pronto Atendimento de Samambaia Norte em 26 de maio, com falta de ar e dores intensas na região pélvica. O estado de saúde exigiu transferência pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Regional de Ceilândia. No hospital, ela evoluiu para um quadro de pneumonia atípica e teve uma parada cardiorrespiratória em assistolia. O óbito foi registrado às 5h30 do dia seguinte.
Exames e substâncias
O laudo cadavérico apontou cardiopatia grave associada ao tromboembolismo pulmonar. Na casa da vítima, peritos encontraram frascos de enantato, oxandrolona e clembuterol, substância de uso originalmente veterinário. Os exames toxicológicos também identificaram etanol e benzodiazepínicos.
A reconstituição dos últimos momentos indicou que Thais esteve, entre 25 e 26 de maio, no Lago Norte, no Núcleo Bandeirante e em Samambaia, acompanhada de um homem chamado Rodrigo. Ao chegar à casa da mãe, por volta das 5h30 do dia 26, ela já estava debilitada.
Investigação sobre a rede
A origem dos produtos foi conectada à Operação Narciso, deflagrada pela Delegacia de Combate aos Crimes Contra o Consumidor e Fraudes (Corf), da PCDF. Segundo as investigações, a rede usava laboratórios em São Paulo, na Paraíba, no Distrito Federal, em Foz do Iguaçu e em Ciudad del Este, no Paraguai. Jiraiya foi preso preventivamente quando estava escondido no Paraguai.
A apuração afirma que a organização importava insumos da Índia, da China e do Paraguai. Parte do material era escondida em peças de motocicletas. Os produtos eram comercializados por perfis no Instagram e também distribuídos por serviços de entrega.
Ainda conforme a investigação, a produção incluía a mistura dos insumos com óleos de cozinha, de semente de uva e de arroz. Clembuterol e diuréticos eram acrescentados sem indicação nos rótulos. A PCDF associou a falta de controle sanitário a reações alérgicas, abscessos, tromboses e infecções generalizadas.
A Justiça expediu 43 mandados de prisão preventiva e temporária e 64 de busca e apreensão. Também foram determinados o bloqueio e o sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros, a lacração de mais de 20 estabelecimentos comerciais, a apreensão de 10 veículos de luxo e a derrubada de mais de 30 sites de venda ilegal.
A operação teve ações em oito estados — Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais — e no Distrito Federal. A investigação apontou que Roberto Carlos administrava o esquema e tinha faturamento líquido de R$ 500 mil por mês. Até R$ 5 milhões foram bloqueados pela Justiça.
Outros investigados citados pela PCDF foram André Luiz de Amorim Junqueira, Ana Luiza, Alam Manoel, Eduardo Euzébio, Elisangela Acosta e Jorge Luiz Roa. A apuração atribuiu a eles funções relacionadas à produção, distribuição, divulgação, aplicação e fornecimento de matérias-primas.








