A Polícia Civil de São Paulo informou que seis torcedores foram identificados e formalmente qualificados no inquérito sobre a hostilização de uma criança após um clássico entre Corinthians e Santos. A investigação usou imagens das câmeras de segurança da Neo Química Arena e vídeos feitos durante a partida.
De acordo com o delegado Carlos Saad, da Drade (Delegacia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva), os envolvidos devem responder por provocação de tumulto, crime previsto na Lei Geral do Esporte. A polícia também apresentará à Justiça um pedido para que eles sejam afastados dos estádios por até três anos e impedidos de acompanhar jogos do Corinthians.
O que aconteceu
O menino, torcedor corintiano de oito anos, estava na primeira fileira do setor Oeste e levava um cartaz destinado a Neymar, de quem é fã. Depois do apito final, o jogador se aproximou e entregou a camisa ao garoto. A partida terminou com vitória do Santos por 1 a 0.
Como o jogo foi realizado sob a política de torcida única, somente corintianos estavam nas arquibancadas. A entrega do uniforme provocou reações de torcedores próximos, que xingaram e ameaçaram a criança e seus familiares.
Policiais militares e seguranças privados intervieram diante do risco de confronto. O grupo deixou a arena sob escolta, por um acesso que passou pelo gramado para preservar a integridade física dos familiares.
Neymar defendeu a atitude do menino após a partida. “Independentemente do time que torce, rival ou não, quando gosta de um atleta, pode me admirar em vários momentos, faz parte”, afirmou.
O caso também resultou em uma multa de R$ 10 mil aplicada pelo STJD ao Corinthians. O clube foi enquadrado no artigo 213 do CBJD por não adotar medidas capazes de prevenir e reprimir desordens.
Em nota, o Corinthians repudiou a conduta dos torcedores. A Gaviões da Fiel também condenou intimidações contra menores, procurou a família e a convidou para visitar a sede da entidade.








