EMBU DAS ARTES — A investigação sobre a morte de Larissa Cruz Morata será conduzida com perícias no corpo, na arma e no local onde ela foi encontrada. O soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva foi preso no velório da esposa e levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
A Justiça decretou a prisão temporária do policial por causa de inconsistências na versão apresentada sobre o caso. Larissa foi localizada sem vida no banheiro da residência do casal, no bairro Chácaras Bartira, com um ferimento provocado por disparo de arma de fogo na cabeça. A arma funcional do soldado, uma Taurus calibre .357 Magnum, estava sob o corpo.
A ocorrência foi registrada como morte suspeita e sem autoria definida. O boletim afirma haver dúvida razoável sobre a possibilidade de suicídio e aponta que ainda não foi possível estabelecer com segurança a dinâmica do disparo. Entre as hipóteses investigadas estão o suicídio e a intervenção de uma terceira pessoa.
Perícias e depoimentos
O Instituto Médico Legal fará o exame necroscópico para analisar a lesão, o trajeto da bala e outros elementos. Também foram requisitados exames residuográficos nas mãos de Larissa e de Vinícius, além de perícias balísticas na arma, no carregador, nas munições e no estojo deflagrado. A perícia técnico-científica examinará ainda o espaço onde a mulher foi encontrada.
A polícia pretende esclarecer a posição da vítima e da arma, a trajetória do projétil e se o disparo foi autoinfligido. Vinícius já prestou depoimento. No momento do registro da ocorrência, também estava na casa uma irmã do soldado, de 19 anos, com o filho menor do casal.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, foram identificados “indícios de ocorrência de infração penal a ser investigada”. A pasta informou que o caso continua sob investigação da Delegacia de Embu das Artes.
Versões apresentadas
À polícia, Vinícius afirmou que Larissa tirou a própria vida depois de ele pedir o fim do relacionamento. O soldado disse que não viu o disparo. Os dois viviam em união estável havia cerca de quatro anos e tinham um filho.
A família contesta essa versão. Maria Aparecida Morata, avó de Larissa, afirmou que a neta tinha planos e negou que ela estivesse em processo de separação. A defesa do policial classificou a morte como uma “fatalidade” e declarou que ele jamais praticaria violência contra a esposa.
O advogado também afirmou que a irmã de Vinícius prestou depoimento e que conversas anteriores entre Larissa e familiares do soldado poderão ser analisadas. Conforme a defesa, esses diálogos tratariam de pensamentos relacionados à possibilidade de suicídio diante de uma ruptura no relacionamento.
A Secretaria da Segurança Pública informou que, por ser policial militar, Vinícius foi apresentado pela Corregedoria da Polícia Militar antes de ser encaminhado ao presídio militar. As diligências continuam para esclarecer as circunstâncias da morte.








