BELO HORIZONTE — A Copasa perdeu cerca de 3 mil empregados próprios desde 2019, segundo o Sindágua-MG. O sindicato relaciona a redução do quadro e o aumento da terceirização à vulnerabilidade dos serviços, em meio a uma sequência de vazamentos, rompimentos de tubulações e interrupções no abastecimento em Belo Horizonte e na Região Metropolitana nas últimas três semanas.
O episódio mais recente ocorreu em 8/9, em Contagem. A água alcançou a BR-040, na altura da Ceasa, e atingiu veículos que passavam pela rodovia. No Barreiro, um vazamento registrado em 7/9 abriu uma cratera e provocou uma enxurrada. Menos de uma semana antes, outro problema na região havia derrubado parte de um muro.
A sequência também inclui o rompimento de uma adutora no bairro Nova Granada, em 19 de agosto. O vazamento alagou a rua, danificou um imóvel e levou à interdição do local pela Defesa Civil. No dia seguinte, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, cobrou uma solução e disse que moradores da Região Oeste enfrentavam problemas de abastecimento havia pelo menos 12 dias.
Quadro de funcionários
De acordo com o sindicato, a Copasa tinha cerca de 12,5 mil trabalhadores em 2019. Atualmente, seriam aproximadamente 9,5 mil. Milton Costa, presidente do Sindágua-MG, afirmou que a saída de profissionais experientes sem reposição torna as atividades mais precárias.
Costa também disse que trabalhadores qualificados foram transferidos de atividades de campo para estações de tratamento de água e esgoto. Na avaliação dele, parte das tarefas antes realizadas diretamente por empregados da companhia passou a ser executada por terceirizados.
“Essa perda significativa de mão de obra qualificada, com a saída de trabalhadores experientes sem a devida reposição, torna esse tipo de atividade mais precário”, afirmou Milton Costa.
O Sindágua-MG avalia que a redução do quadro próprio e a terceirização diminuem a capacidade de execução, acompanhamento, fiscalização e planejamento de serviços essenciais. Para a entidade, esse cenário também está relacionado ao processo de privatização da empresa.
A Copasa foi privatizada em junho deste ano, em uma operação na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, que movimentou R$ 8,38 bilhões. O Estado vendeu 45% das ações: 30% ficaram com o Grupo Equatorial, principal acionista, e 15% com investidores. O Governo de Minas manteve 5% da companhia.








