SÃO PAULO — Anderson Luciano começou a trabalhar aos 13 anos como office-boy em um escritório de contabilidade no Bom Retiro, em São Paulo. Filho de uma faxineira e de um vidraceiro, entregava holerites, cobranças e documentos pelas ruas do bairro. A experiência o levou a fazer um curso técnico e, depois, a entrar na faculdade com apoio do pai.
A formação abriu caminho para uma carreira na área tributária. Luciano passou pela KPMG, Motorola, Votorantim e Danone. Na KPMG, começou na auditoria e depois migrou para a consultoria tributária. Aos 24 anos, tornou-se gerente, segundo ele, um dos mais jovens da companhia naquele período.
Na Motorola, decidiu acompanhar a execução das recomendações que fazia como consultor. Foi contratado pela fabricante e participou de uma reorganização societária, além de trabalhar na fábrica de Jaguariúna, no interior paulista. Depois, ficou oito anos na Votorantim Celulose e Papel, com atuação na reestruturação internacional do grupo e uma temporada na Suíça.
Atuação na Danone
Durante um curso em Copenhague, conheceu o responsável global pela área tributária da Danone. Após uma entrevista em Paris, foi contratado para comandar inicialmente a área no Brasil e, depois, nas Américas.
Na empresa, examinou a tributação sobre produtos lácteos. A proposta era estender a parte dos derivados os benefícios fiscais já aplicados a ingredientes como leite, fermento e fruta. Para defender a medida, procurou os ministérios da Agricultura e da Saúde, o Ministério da Fazenda, a Receita Federal e lideranças da Câmara e do Senado.
A articulação resultou na Lei nº 11.488, de 2007, que zerou as alíquotas de PIS e Cofins para produtos como leites fermentados e bebidas lácteas. Luciano afirma que a mudança gerou economia de milhões de reais para a Danone no primeiro ano.
Criação da AFL
Mesmo com a possibilidade de assumir a liderança tributária global da Danone, Luciano decidiu empreender. A transição começou com quatro dias por semana na multinacional e um na AFL. Em março de 2012, deixou definitivamente a empresa e passou a trabalhar na consultoria com uma estagiária.
A AFL Consultores estruturou a operação com tecnologia, consultores tributários e profissionais jurídicos. Os sistemas processam arquivos fiscais; os consultores identificam valores recuperáveis e pagamentos que podem ser reduzidos; e a equipe jurídica avalia a sustentação legal de cada medida.
A empresa cresceu 73% entre 2024 e 2025 e hoje tem receita bruta na casa dos oito dígitos. Em 2023, Luciano fundou a AFL Intelligence, voltada ao desenvolvimento de soluções próprias de inteligência artificial para o mercado.
A consultoria também atua na adaptação à reforma tributária. A transição começou em 2026, com testes dos novos tributos sobre o consumo, e vai até 2033. Nesse período, as empresas precisam ajustar sistemas, documentos e processos enquanto continuam cumprindo as obrigações anteriores.








