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Chatbots influenciam escolhas de leitura e repetem títulos, dizem livreiros
Economia

Chatbots influenciam escolhas de leitura e repetem títulos, dizem livreiros

Listas geradas por inteligência artificial já chegam às livrarias, mas podem incluir obras inexistentes e reduzir a diversidade das indicações.

A inteligência artificial já é usada para escolher livros parecidos com os que o leitor acabou de ler. Em poucos segundos, chatbots apresentam títulos e explicam os motivos das sugestões, sem que seja necessário visitar uma livraria ou conversar com um vendedor.

Livreiros de lojas independentes do Reino Unido relatam que clientes chegam ao balcão com listas produzidas por IA abertas no celular. Para esses profissionais, os sistemas tendem a indicar os mesmos livros para pessoas diferentes e podem afastar o público da busca espontânea pelas estantes.

Limites das recomendações automáticas

A confiabilidade das ferramentas foi questionada em maio de 2025, quando uma lista com 15 recomendações de leitura para o verão apresentou dez obras inexistentes. O material, produzido pela King Features, atribuía a autores reais títulos inventados, como Nightshade Market, associado a Min Jin Lee, e Tidewater Dreams, apresentado como o primeiro romance de ficção climática de Isabel Allende. A empresa demitiu o freelancer responsável pelo conteúdo após a publicação.

Mesmo nos casos em que os livros existem, livreiros apontam problemas. Danielle Moylan, dona da Lala Books, em Camberwell, relatou ter atendido uma cliente insatisfeita com duas sugestões feitas por IA. As obras pertenciam ao mesmo gênero do romance que ela havia apreciado, mas não provocaram o mesmo envolvimento.

A livreira Natalie Beecroft afirma que os sistemas priorizam títulos que já vendem bem e dão menos espaço a pequenas editoras, autores estreantes, ficção traduzida e escritores não brancos. Madeleine, outra livreira ouvida sobre o tema, pondera que a tecnologia também pode ajudar pessoas intimidadas por grandes acervos ou pela conversa com vendedores.

Leitura no Brasil e uso em bibliotecas

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, mostra que o tema ou assunto é o principal critério para escolher um livro, citado por 33% dos leitores. Capa e indicação de outras pessoas aparecem com 12% cada. As redes sociais foram mencionadas por 8% do total de leitores e por 16% das pessoas de 18 a 39 anos.

O levantamento ouviu 5.504 pessoas em 208 municípios. Segundo os dados, 53% não tinham lido nem parte de um livro nos três meses anteriores, e o país perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores desde 2019. Entre os não leitores, a falta de tempo foi citada por 33%.

Na Coreia do Sul, bibliotecas públicas já usam quiosques que recomendam livros com base nos dados de leitura. A Flybook havia instalado os equipamentos em 72 unidades até 2021. Em 2025, a Biblioteca Nacional da Coreia anunciou planos para um agente de IA capaz de indicar obras conforme os padrões de leitura de cada usuário.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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