O mercado de eventos ainda depende de planilhas, PDFs, cadernos e conversas espalhadas pelo WhatsApp, apesar de os consumidores esperarem serviços digitais, respostas rápidas e experiências personalizadas. Para Márcio Acorci, CEO e cofundador da Wedy, a gestão informal ajuda a explicar a dificuldade de transformação digital do setor.
Casamentos, formaturas, aniversários, bodas e chás revelação fazem parte de uma jornada contínua de celebrações. Mesmo assim, profissionais ainda administram orçamentos, fornecedores e cronogramas de forma semelhante ao que faziam 20 anos atrás. As informações podem ficar divididas entre planilhas, e-mails, cadernos e aplicativos de mensagem, aumentando o risco de falhas durante a organização.
Ac orci avalia que o problema não é uma falha individual, mas o resultado de um mercado fragmentado, com pouca regulamentação e padronização. Ele também aponta um fator humano: profissionais experientes construíram negócios bem-sucedidos com processos conhecidos e podem considerar arriscada uma mudança durante operações complexas, como eventos de R$ 500 mil ou R$ 1 milhão.
Dados e inteligência artificial
Na avaliação do executivo, a tecnologia se concentrou por muito tempo na experiência final do consumidor, com sites, convites digitais e recursos para o dia do evento. A gestão e a organização, porém, ficaram em segundo plano.
Ac orci afirma que a inteligência artificial precisa ser aplicada com base no contexto. Chatbots para responder a orçamentos e ferramentas que resumem reuniões podem ajudar, mas não representam sozinhos uma transformação estrutural. O valor estaria em compreender por que uma pessoa escolheu determinado fornecedor, considerando fatores como preço, estilo, disponibilidade, localização ou recomendação.
A Wedy informa que mais de 1 milhão de celebrações já passaram pela plataforma. Esse histórico, segundo Acorci, mostra que as pessoas não celebram apenas uma vez: a jornada pode passar por casamento, boda, nascimento de um filho, aniversário e formatura.
Entre as mudanças previstas pelo executivo estão ambientes que concentrem diferentes etapas da jornada, marketplaces baseados em reputação e histórico de entrega e o uso de inteligência artificial para gerar recomendações e previsões. Para ele, a tecnologia não substituirá os profissionais, mas quem souber usá-la terá vantagem sobre quem continuar trabalhando de forma manual.









