SÃO PAULO — A adoção corporativa de inteligência artificial deve avançar nos próximos 12 meses com foco em escala e segurança, afirmou Oliver Parker, vice-presidente global de IA generativa do Google Cloud. Para ele, os sistemas de IA dependem da infraestrutura de nuvem para funcionar de forma ampla e segura.
Parker apontou como vantagem competitiva do Google a integração entre chips, infraestrutura, modelos de linguagem e agentes. Segundo o executivo, a empresa atua tanto no desenvolvimento de modelos quanto na oferta de infraestrutura de nuvem.
"Todos eles precisam de provedores de nuvem para sustentá-los em escala", disse Parker, ao destacar a relação entre os dois segmentos. Na avaliação dele, sistemas de IA generativa têm desempenho limitado pela plataforma de dados que os sustenta.
Implementação mais rápida
O executivo afirmou que as empresas continuam buscando fornecedores capazes de garantir segurança e apoiar a implementação. A diferença, segundo ele, está no prazo esperado para obter resultados: os clientes não querem esperar um ano por um projeto e desejam perceber valor em três semanas.
Nesse cenário, o Google Cloud expandiu a equipe de Forward-Deployed Engineers, formada por engenheiros que trabalham integrados às equipes técnicas dos clientes. A medida foi anunciada durante o Google Cloud Summit Brasil, em São Paulo.
Parker também afirmou que a velocidade de evolução da IA diferencia a tecnologia de outras mudanças, como a internet e a computação em nuvem. Para ele, a IA generativa está sempre melhorando, enquanto as empresas passaram a testar aplicações práticas em vez de discutir apenas se a tecnologia é duradoura.
Sobre empregos, o executivo disse que a força de trabalho continua crescendo e que as pessoas que usam IA seguem produzindo mais. Ele comparou a tecnologia a um copiloto inteligente, mas reconheceu que ainda existe cautela porque ela não é humana.
Estratégia aberta e Brasil
Parker defendeu uma filosofia de liberdade de escolha. De acordo com ele, os clientes podem usar o Gemini, outras ferramentas e diferentes modelos, sem precisar adotar produtos do Google em todas as etapas.
Essa oferta pode incluir apenas a infraestrutura, uma plataforma completa ou agentes prontos. O Google também pode atuar em diferentes níveis, do silício à camada superior da tecnologia.
O Google e a Alphabet mantêm operação no Brasil desde 2005, quando a empresa chegou ao país com um centro de engenharia em Belo Horizonte. A unidade de nuvem começou a operar localmente em 2018.
Marcel Silva, head de vendas e estratégia de mercado de IA para a América Latina, citou a população jovem e nativa digital, a menor presença de sistemas legados e a facilidade de interação por linguagem natural como fatores que favorecem a adoção da IA no Brasil.
Para os próximos 12 meses, Parker espera que empresas ampliem casos de uso bem-sucedidos em áreas como finanças, back office e recursos humanos. A segurança, especialmente diante de ciberataques e agentes de IA, será o outro eixo central, com atenção também a setores regulados como o financeiro.








