A inteligência artificial começa a avançar além dos robôs de conversa e das ferramentas que ampliam a produtividade individual. A nova etapa envolve os processos internos das empresas, com agentes capazes de consultar sistemas, ler documentos, aplicar regras e conduzir tarefas do início ao fim.
A autonomia desses agentes pode variar. Alguns apenas dão apoio; outros executam ações, mas pedem aprovação a cada etapa. Há também sistemas que trabalham sozinhos e recorrem a uma pessoa em situações específicas, além de agentes capazes de concluir uma operação inteira. Diferenciar esses níveis é importante para reduzir riscos e evitar expectativas incompatíveis com o funcionamento da tecnologia.
O Gartner projeta que, até o fim de 2026, 40% dos programas usados pelas empresas terão agentes de IA incorporados. Ao mesmo tempo, apenas 5% das organizações consideram seus processos preparados para essa mudança. Um dos obstáculos está na tentativa de automatizar rotinas que ainda não foram revisadas.
Na área financeira, 88% dos CFOs tratam a IA como prioridade, segundo o BCG, e 96% esperam um impacto grande ou transformador. A tecnologia pode reduzir tarefas repetitivas e liberar as equipes para atividades de maior valor. O Gartner também estima que os fechamentos contábeis poderão ser até 30% mais rápidos até 2028 com sistemas de gestão na nuvem e IA integrada.
Os setores mais propícios à automação incluem financeiro, compliance, jurídico, compras, contabilidade e RH, áreas que lidam com grandes volumes de informações, documentos, aprovações e tarefas repetitivas.
Há exemplos de aplicação em empresas. O JPMorgan economizou 360 mil horas anuais de revisão jurídica ao usar IA na leitura de contratos de crédito. A IBM resolve 94% dos pedidos de RH sem intervenção humana. Já a Vodafone realiza 90% de suas concorrências por um portal autônomo de sourcing e reduziu 30% do tempo de compra.
O avanço, porém, exige transparência e supervisão humana. O Gartner estima que mais de 40% dos projetos com agentes de IA poderão ser cancelados até 2027 por falta de retorno claro e de regras de controle. No relatório AI in Professional Services, da Thomson Reuters, apenas 18% das organizações medem o retorno financeiro das ferramentas utilizadas.
A avaliação dos resultados depende da escolha dos processos, da revisão das rotinas antes da automação e do acompanhamento dos ganhos. O sucesso, nesse cenário, é medido pelo impacto real na operação, e não pela quantidade de usuários.








