O Ibovespa futuro subia 7,7% nesta segunda-feira, 5, às 9h15, e alcançava 208.955 pontos. O movimento refletia a reação inicial do mercado doméstico ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
Na apuração, Flávio Bolsonaro (PL) tinha 47,13% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrava 45,04%. Com 99,47% das urnas apuradas, os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. As pesquisas divulgadas na véspera apontavam empate técnico, com Lula numericamente à frente em alguns levantamentos.
A alta também acompanhava o desempenho dos ativos brasileiros negociados em Nova York. O EWZ, fundo de índice formado por ações brasileiras, chegou a avançar 10,29% no pregão overnight de domingo e manteve a valorização no pré-mercado desta segunda-feira.
Como funciona o contrato
O Ibovespa futuro é um derivativo negociado na B3. Nele, comprador e vendedor assumem o compromisso de negociar, em uma data futura, o valor do principal índice da bolsa brasileira. A liquidação é financeira, sem entrega de ações, e ocorre diariamente por meio do ajuste entre o preço do dia e o do pregão anterior.
O contrato cheio, identificado pela sigla IND, vale R$ 1 por ponto. Já o minicontrato, de código WIN, vale R$ 0,20 por ponto e é mais usado por pessoas físicas. Os vencimentos acontecem nos meses pares, na quarta-feira mais próxima do dia 15. O contrato de outubro, identificado como WINV26 na versão mini, era o mais próximo do vencimento e o mais negociado naquele momento.
As negociações começam às 9h, antes da abertura do mercado à vista, às 10h. Como o contrato futuro considera o período até o vencimento e inclui principalmente os juros desse intervalo, sua pontuação costuma ficar acima da do índice à vista. Na sexta-feira, o Ibovespa subiu 2,63% e terminou aos 192.114 pontos.
Se o índice à vista repetisse a alta de 7,7% registrada pelo futuro a partir do fechamento de sexta-feira, chegaria a aproximadamente 206,9 mil pontos. Uma valorização de 4,1% já seria suficiente para levar o Ibovespa aos 200 mil pontos.
Avaliações de gestores e analistas
Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, projetava alta de 4% a 5% para a bolsa, com possibilidade de avanço maior. Para ele, parte significativa da reação ficaria concentrada no primeiro pregão após a eleição. “Essa alta recente do Ibovespa foi o começo de uma precificação de uma chance maior do Flávio ganhar, mas ainda tem bastante chão para a bolsa subir”, afirmou.
Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, avaliou que o resultado alterou o favoritismo da disputa. Ele estimava que Flávio receberia de 60% a 70% dos cerca de 7% de votos destinados aos candidatos da terceira via e calculava em mais de 75%, podendo chegar a 80%, a probabilidade de vitória no segundo turno.
Menezes apontava maior atenção às estatais no curto prazo e via possibilidade de recuperação das construtoras caso os juros caíssem. Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, citou ações negociadas abaixo do preço justo, como a Vale. Os ADRs da mineradora subiram mais de 7% após o resultado.
No câmbio, o real valorizava 4,6%, e o dólar era negociado a R$ 4,97. Menezes havia projetado alta da moeda brasileira entre 3,5% e 4% nesta segunda-feira. Arantes e Menezes também avaliaram que a direita sairia das urnas com bancadas mais fortes no Senado e na Câmara.









