SÃO PAULO — O jazz ganhou espaço na rotina da geração Z e passou a aparecer em encontros, bares de vinil, escolhas de moda e festivais. No TikTok, os vídeos com a hashtag #jazz cresceram quase 90% entre 2023 e 2024.
Uma pesquisa encomendada pela rede Popeyes no Reino Unido, em 2025, indicou que o gênero já é ouvido por mais jovens britânicos do que o house e o K-pop. Parte desse público se interessa pela estética vintage e pelo ar antiquado associado ao jazz.
A mudança também acompanha novos hábitos de lazer. Segundo o Gallup, metade dos americanos de 18 a 34 anos afirma consumir álcool, contra 59% dois anos antes. Com isso, programas mais calmos, iniciados mais cedo e fora da pista de dança, ganharam espaço.
Bares e referências japonesas
Os listening bars são uma das expressões desse movimento. O formato se inspira nos kissa japoneses, cafés criados há cerca de cem anos para a audição atenta de discos. O Meikyoku Kissa Lion, aberto em 1926 em Shibuya, continua recebendo clientes em Tóquio. Os jazz kissa tiveram seu auge nos anos 1970 e se espalharam pelo país.
Nos Estados Unidos, o modelo chegou a locais como o Silence Please, no Bowery, em Manhattan, e o Bar Benjamin, em Los Angeles. Também ganhou uma versão temporária assinada pela Valentino no ano passado.
A Miu Miu levou a referência a Tóquio em maio, durante a reabertura de sua loja em Ginza. O Miu Miu Jazz Club começou com um coquetel e seguiu para um salão de baile da era Showa, com apresentação da pianista Hiromi. A programação terminou no Tokyo Kinema Club, com show de Arlo Parks.
Música, moda e expansão
Nas passarelas, o jazz shoe, modelo de amarrar com sola fina e bico amendoado, ganhou força após o desfile Resort 2026 da Celine, primeira coleção de Michael Rider à frente da grife. O calçado apareceu em versões da Bottega Veneta e da Dries Van Noten e chegou a marcas como COS e H&M. Em setembro, Maggie Gyllenhaal usou um par no Festival de Veneza.
Entre os novos nomes, a islandesa Laufey, de 27 anos, mistura jazz e pop. Em 2023, ela teve a maior estreia de um álbum de jazz na história do Spotify com Bewitched e, em fevereiro, ganhou seu segundo Grammy. Na mesma cerimônia, Samara Joy, de 26 anos, chegou ao sexto prêmio da carreira.
A expansão também alcançou os clubes. O Blue Note, fundado em 1981 em Nova York, abriu nesta semana sua primeira unidade no Reino Unido, no subsolo do hotel St Martins Lane, em Covent Garden. Em São Paulo, a casa do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, anunciou neste mês uma segunda sala, com capacidade para até 350 pessoas sentadas. Aberta em 2019, a unidade faturou mais de R$ 38 milhões em 2025.








