A PEC que prevê o fim da escala 6×1 começa a ser discutida nesta semana no plenário do Senado, mas a mudança no cenário político após as eleições dificulta a antecipação da votação para antes do segundo turno presidencial.
As sessões de discussão começam nesta terça-feira, 6. Pelo rito normal, são necessárias cinco sessões antes da votação em primeiro turno e outras três antes do segundo. Para concluir a tramitação rapidamente, o Senado teria de reduzir esses intervalos, em uma decisão que depende da articulação política e da disposição de Davi Alcolumbre, presidente da Casa.
O PL sairá das urnas com 28 senadores em 2027 e formará a maior bancada do Senado. União Brasil e PP também passaram a discutir aproximações com Flávio Bolsonaro no segundo turno. Alcolumbre pretende permanecer no comando da Casa na próxima legislatura e terá de administrar esse novo equilíbrio entre as forças políticas.
Renovação reduz pressão sobre senadores
Outro fator é a renovação do Senado. Das 54 cadeiras disputadas no domingo, 40 terão novos titulares no ano que vem. Entre os senadores que tentaram permanecer na Casa, apenas 14 conseguiram a reeleição.
Antes da eleição, a possibilidade de votar a proposta pressionava senadores candidatos a se posicionarem sobre uma medida de forte apelo popular. Agora, uma parte relevante dos parlamentares que votarão até dezembro já sabe qual será seu destino eleitoral.
O governo também perdeu força na articulação com a não reeleição de Randolfe Rodrigues no Amapá. Ele era um dos defensores mais ativos da votação da PEC ainda em outubro.
A tramitação não está impedida. O governo ainda pode tentar reunir os 49 votos necessários para aprovar a proposta. A questão imediata, porém, passou a ser a existência de disposição política para encurtar o calendário e concluir a votação antes do segundo turno. Até sexta-feira, essa possibilidade parecia concreta; depois das urnas, ficou mais difícil.








