RIO — A Qualcomm defendeu, durante o Rio Innovation Week 2026, o uso de Edge AI para executar tarefas diretamente em celulares e computadores. A estratégia pode reduzir a latência, diminuir a dependência de conexão com a internet e manter dados sensíveis no próprio aparelho.
O conceito permite que funções como tradução de textos, resumo de documentos, edição de fotos e conversas com assistentes sejam processadas no dispositivo, sem envio obrigatório das informações para servidores na nuvem. Diego Aguiar, head de vendas e IoT da Qualcomm no Brasil, resumiu a proposta como “inteligência onde o trabalho acontece”.
Segundo Aguiar, a empresa avalia novas funções de inteligência artificial a partir de três critérios: resolver um problema real, responder rapidamente sem consumir muita bateria e permitir que o usuário entenda e controle o uso dos próprios dados.
A Qualcomm não considera que todo processamento deva ocorrer no aparelho. Tarefas rápidas, pessoais ou sensíveis podem ser executadas localmente, enquanto atividades mais complexas podem recorrer à nuvem. A divisão busca oferecer uma experiência em que o usuário não precise decidir onde cada operação será realizada.
Autonomia sob supervisão
A próxima etapa envolve agentes de IA capazes de realizar tarefas inteiras, como planejar uma viagem, comparar preços e organizar uma agenda. Para Aguiar, quanto maior a autonomia, mais importante é deixar claro o limite entre assistência e decisão.
Escolhas relacionadas a carreira, saúde, segurança, dinheiro e outras consequências relevantes devem continuar sob supervisão humana. Na avaliação do executivo, o melhor assistente reduz o trabalho operacional, sabe quando pedir confirmação e devolve ao usuário decisões que não devem ser tomadas pela tecnologia.
Privacidade e adoção
O processamento no próprio aparelho não resolve sozinho todas as questões de privacidade. Aguiar afirma que também são necessários segurança, transparência e controle sobre os dados usados, as finalidades desse uso e as formas de limitar ou desativar a coleta.
Câmera, microfone e localização podem ajudar o aparelho a compreender o contexto, mas o uso desses sensores precisa ser relevante e transparente para não ultrapassar o limite entre assistência e vigilância.
Para Aguiar, o hábito de enviar áudios e mensagens favorece a adoção de interfaces conversacionais de IA no Brasil. Ele também defende que o país participe do desenvolvimento dessas tecnologias para adaptá-las às próprias necessidades e ao contexto local.








