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Startups de IA encurtam caminho entre crescimento, aquisição e desaparecimento
Economia

Startups de IA encurtam caminho entre crescimento, aquisição e desaparecimento

Negócios envolvendo Nvidia, Google, Meta, SpaceX e Nubank mostram diferentes formas de consolidação no setor de inteligência artificial.

O ciclo de vida das startups de inteligência artificial ficou mais curto. Em vez de crescer de forma independente até uma oferta inicial pública, muitas empresas captam bilhões, precisam provar resultados rapidamente e acabam compradas ou esvaziadas por grupos com mais capital, dados e capacidade computacional.

A Nvidia confirmou na última semana a compra da Hugging Face por cerca de US$ 12,9 bilhões. A empresa funciona como um repositório de modelos de IA de peso aberto. O negócio será analisado nos Estados Unidos e na União Europeia e deve ser concluído apenas no primeiro semestre de 2027.

A operação é diferente da compra dos ativos da Groq pela Nvidia, estimada em cerca de US$ 20 bilhões e estruturada para evitar uma revisão antitruste completa nos Estados Unidos. O acordo com a Hugging Face é uma aquisição direta e convencional.

Aquisições sem compra formal

Outro formato ganhou força nos últimos dois anos: a empresa interessada licencia a tecnologia e contrata os fundadores e o núcleo da equipe, sem adquirir formalmente a startup. A estrutura é conhecida como “acqui-hire reverso” ou “quase-fusão”.

Em julho de 2025, o Google fechou com a Windsurf um acordo de US$ 2,4 bilhões para licenciar a tecnologia e contratar o CEO Varun Mohan, o cofundador Douglas Chen e a equipe de pesquisa e desenvolvimento. A negociação ocorreu depois de uma tentativa frustrada da OpenAI de comprar a startup por US$ 3 bilhões.

Dias depois, a Cognition comprou o que restou da Windsurf e demitiu 30 dos cerca de 200 funcionários remanescentes.

Movimento semelhante ocorreu com a Scale AI. Em junho de 2025, a Meta pagou US$ 14,3 bilhões por 49% da empresa e contratou o fundador Alexandr Wang. Depois disso, a Scale cortou 200 posições internas e encerrou contratos com 500 prestadores de serviço. O Google, até então o maior cliente, rompeu relações comerciais com a companhia.

A Federal Trade Commission começou a examinar esse tipo de acordo. Em fevereiro, os senadores Elizabeth Warren, Ron Wyden e Richard Blumenthal pediram investigação sobre negócios da Google, da Meta e da Nvidia que poderiam funcionar como fusões de fato.

Casos no Brasil e o protocolo aberto

Em novembro de 2025, o Nubank anunciou a contratação dos 11 profissionais da dex Labs, incluindo os fundadores Gustavo Beltrami, Matheus Beltrami e Luan Guimarães. A startup informou que operaria apenas até 1º de fevereiro de 2026, sem desenvolver novos conectores nem aceitar novos cadastros.

Em 2024, o banco havia comprado a Hyperplane, fundada por Daniel Silva, Felipe Lamounier, Rohan Ramanath e Felipe Meneses, em uma aquisição formal.

O Model Context Protocol (MCP) seguiu caminho diferente. Criado por David Soria Parra e Justin Spahr-Summers e lançado em 25 de novembro de 2024, o padrão permite que aplicações de IA se conectem a ferramentas externas por meio de uma interface comum.

A OpenAI adotou o protocolo em março de 2025, e o Google DeepMind fez o mesmo em abril. Em 9 de dezembro de 2025, a Anthropic transferiu o MCP para a Agentic AI Foundation, ligada à Linux Foundation.

Segundo levantamento da Stacklok publicado em 2026, 41% das organizações de software pesquisadas já usavam o MCP em produção, ainda que de forma limitada. Em 24 de maio de 2026, havia 9.652 servidores ativos registrados e quase 16 mil repositórios no GitHub relacionados ao protocolo.

Pesquisadores também documentaram, desde abril de 2025, vulnerabilidades como injeção de prompt e ferramentas envenenadas. A adoção do padrão, portanto, não elimina os riscos de segurança.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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