Antônio Fagundes afirmou que não retirou o sotaque regional de Bruno Berdinazzi Mezenga, mesmo depois de receber críticas do público durante a exibição de O Rei do Gado. O ator contou que chegou a ser chamado para mudar a forma de falar, mas decidiu manter a característica até o fim da novela.
A lembrança foi feita no Caldeirão do Mion, da TV Globo, durante as celebrações pelos 60 anos de carreira do artista. Fagundes explicou que a mudança entre as duas fases da trama aconteceu com apenas uma semana de intervalo. Para diferenciar Antônio Mezenga, interpretado na primeira fase, de seu neto, Bruno, ele adotou mudanças físicas e trabalhou principalmente a prosódia do segundo personagem.
“Foi uma loucura”, disse o ator ao relembrar o esforço para construir a fala do proprietário de terras e gado. A interpretação recebeu comentários negativos de espectadores, que reclamavam da dificuldade para compreender algumas falas e diziam que Fagundes parecia estar com “um ovo na boca”.
A escolha para o personagem
Segundo Fagundes, as críticas atingiram toda a produção, mas ele não aceitou abandonar a entonação carregada. “Para tirar era ó matar o personagem”, declarou. O ator também afirmou que a decisão valeu a pena e que a novela continua fazendo sucesso.
Exibida entre 1996 e 1997, a produção foi escrita por Benedito Ruy Barbosa e teve Bruno Mezenga como protagonista na metade final. Na história, duas famílias de imigrantes italianos, os Mezenga e os Berdinazi, tornam-se rivais no Brasil. Bruno se apaixona por Luana, personagem de Patrícia Pillar, que não sabe ter origem na família rival.
O Rei do Gado voltou à programação da Globo em 1999, 2015 e 2022, além de ter sido exibida no Viva em 2011. Desde novembro de 2021, a novela está disponível na íntegra no Globoplay. Fagundes também negou interesse em retornar ao papel e disse considerar difícil reinterpretar a obra em outro contexto, com direções e artistas diferentes.








