VENEZA — Susan Sarandon participa do Festival de Cinema de Veneza com “The Echo Chamber”, filme dirigido por Andrea Pallaoro e escolhido para disputar o Leão de Ouro. A produção está entre os 21 filmes da competição, cujo prêmio será entregue no dia 12 de setembro.
Durante um discurso no festival, a atriz, de 79 anos, afirmou que seu apoio declarado aos palestinos continua afetando sua carreira. Sarandon disse que a resistência é especialmente forte entre os grandes estúdios e que algumas agências ainda tentam impedir sua contratação.
“Isso tem sido uma grande revelação para as pessoas: quanto dinheiro os Estados Unidos dão a Israel -- ninguém realmente entendia isso”, afirmou. Ela também disse que a percepção sobre a relevância histórica da Palestina, os vínculos do sionismo com os Estados Unidos e a política americana mudou.
Sarandon relatou ter perdido trabalhos recentemente. “Ainda perdi papéis em filmes recentemente porque há agências que continuam dizendo às pessoas para não me contratarem”, disse aos repórteres. Apesar disso, afirmou se sentir bem recebida internacionalmente.
A atriz foi dispensada pela UTA em 2023, depois de comentários feitos em manifestações pró-palestinas realizadas após o ataque do Hamas a Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.
A questão palestina também apareceu no festival. Ativistas pediram que os organizadores hasteassem a bandeira palestina em reconhecimento aos diretores palestinos com filmes exibidos no evento. Alberto Barbera, diretor artístico, afirmou que isso não poderia ocorrer porque a Itália não reconhece formalmente o Estado da Palestina. Ele destacou, porém, que produções apresentadas no Lido retratam a luta dos palestinos comuns.
Em “The Echo Chamber”, adaptado do roteiro final de Bernardo Bertolucci, Sarandon interpreta uma cantora envelhecida que contrata um produtor musical em recuperação do vício em medicamentos para preparar um álbum de retorno. Ela agradeceu a Pallaoro por tê-la escalado e disse ter encontrado sua família e seu povo no projeto.








