Os Estados Unidos assinaram um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia que amplia a presença militar americana no território autônomo e restringe a atuação de países que não fazem parte da Otan. O entendimento complementa um tratado de 1951, que autoriza a manutenção de tropas dos EUA na ilha como parte da estratégia de defesa da aliança.
Entre as mudanças estão a construção de duas bases americanas, a proibição de que países de fora da Otan instalem forças na Groenlândia e a garantia de acesso militar dos Estados Unidos caso o território conquiste a independência da Dinamarca.
Presença militar e bases
As Forças Armadas americanas já mantêm um contingente reduzido na base de Pituffik há décadas. Embora Donald Trump tenha declarado no dia 18 deste mês que os EUA começariam imediatamente a estabelecer uma grande presença militar na ilha, o consultor Mark Cancian estima que o reforço final possa ser inferior a 50 militares.
“Não acredito que a presença militar será tão grande assim, mas ela amplia nossa presença — que é bastante modesta — na Groenlândia”, disse Cancian, consultor sênior do CSIS. Segundo ele, as novas restrições são claramente voltadas para conter a influência da China e da Rússia.
As futuras bases serão instaladas em Narsarsuaq e Mestersvig. A ex-subsecretária adjunta de Defesa para o Ártico e resiliência global Iris Ferguson afirmou que serão necessários investimentos significativos em infraestrutura para acomodar o pessoal e proteger os equipamentos das condições ambientais adversas.
O acordo também menciona o sistema de defesa antimísseis Domo de Ouro, planejado por Trump. A implementação do programa, porém, ainda deve levar anos.
Disputa no Ártico
Trump havia ameaçado tomar a Groenlândia à força caso não obtivesse um acordo de seu agrado. A assinatura ocorreu enquanto países europeus enviavam tropas para o território e aumentavam as tensões com países como a Rússia.
Estados Unidos e outras nações têm ampliado a atenção sobre o Ártico à medida que a redução das camadas de gelo abre rotas navegáveis que podem influenciar o comércio global.
Iris Ferguson disse que a questão da Groenlândia provocou danos à segurança do Ártico por causa do ambiente político, mas avaliou que o acordo aponta para o avanço de objetivos comuns. Mark Rutte, secretário-geral da Otan, afirmou que uma maior segurança no Ártico e no Atlântico Norte é essencial para a Europa e a América do Norte.








