SAXÔNIA-ANHALT — A AfD venceu a eleição estadual de domingo (6/9) na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, com 43,8% dos votos. O resultado, porém, não garantiu ao partido a maioria absoluta necessária para governar sozinho. A CDU ficou em segundo lugar, com 17,2%.
A legenda deverá negociar com outros partidos para tentar comandar o estado. A CDU afirmou que não trabalha com extremistas de extrema direita. O chanceler Friedrich Merz, integrante da sigla, se reunirá na segunda-feira para discutir a derrota.
A AfD caminha para conquistar 39 das 83 cadeiras do Parlamento estadual. São necessárias 42 para formar maioria absoluta. O BSW atingiu o mínimo de 5% exigido para entrar na Assembleia, o que reduziu as chances de a AfD obter o controle do Legislativo.
Reação dos partidos
O líder estadual da AfD, Ulrich Siegmund, comemorou o resultado e defendeu que o partido comece a governar o quanto antes. “Fizemos história neste estado”, disse aos apoiadores. Ele afirmou que, se necessário, poderá haver novas eleições, nas quais a legenda conseguiria entre 50% e 55% dos votos.
Nenhum partido de direita radical havia conquistado o controle de um estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial. O governo estadual tem autoridade sobre áreas como polícia, educação local e cultura.
A participação eleitoral chegou a 76,7% na Saxônia-Anhalt, que tem 2,1 milhões de habitantes. A AfD venceu a eleição estadual de 2024 na vizinha Turíngia, mas não obteve cadeiras suficientes para governar.
A sigla defende políticas anti-imigração e um plano chamado de “remigração”. O termo é entendido amplamente como referência à deportação em massa de imigrantes, embora o partido diga que se refere a criminosos e pessoas que estão ilegalmente no país.
Os outros partidos mantêm uma barreira contra coalizões com a AfD. O BSW, no entanto, ofereceu cooperação em algumas questões caso consiga participar do Parlamento estadual.
A vitória foi comemorada por Alice Weidel e Tino Chrupalla, líderes nacionais da AfD. Donald Trump publicou uma imagem da projeção eleitoral em sua rede social, e o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev elogiou o resultado. O primeiro-ministro polonês Donald Tusk criticou a comemoração da vitória.
A eleição também provocou reações de oposição. O SPD classificou o resultado como “realmente dramático”. Charlotte Knobloch, líder da comunidade judaica de Munique e da Baviera e sobrevivente do Holocausto, disse que o resultado a assustava e pediu reação dos partidos tradicionais.









