AUSTRÁLIA — O governo australiano anunciou mudanças nos vistos de férias e trabalho que podem dificultar a permanência de mochileiros no país por um terceiro ano. Mesmo quem cumprir os 88 dias de trabalho regional exigidos terá de pagar para participar de um sorteio por uma das 5.000 vagas disponíveis.
A quantidade representa uma redução em relação aos 31.000 vistos concedidos anteriormente. O número de vistos de segundo ano também cairá de 57.000 para 45.000. Ao todo, serão 38.000 vagas a menos nos dois anos.
Zoe, uma francesa de 25 anos que trabalha servindo mesas, disse que esperava conseguir permanecer na Austrália e ter mais tempo para conhecer o país. “Todo mundo está estressado”, afirmou. Ela pediu que fosse identificada apenas pelo primeiro nome.
Impacto no turismo e na agricultura
Operadores de turismo e agricultores afirmam que a mudança pode reduzir a oferta de visitantes e trabalhadores em áreas regionais. Os mochileiros são contratados para atividades como colheita de frutas e reparo de cercas, funções consideradas essenciais para negócios em regiões de baixa densidade populacional.
O governo diz que a política busca favorecer migrantes qualificados, incluindo trabalhadores da construção civil, médicos, enfermeiros, especialistas em agricultura e recursos naturais e agentes de segurança pública.
As regras anunciadas em 17 de setembro também proíbem estudantes internacionais de levar familiares para a Austrália e ampliam a fiscalização de pessoas que permanecem no país após o vencimento dos vistos.
Britânicos têm regras diferentes
Um acordo de livre comércio entre Austrália e Reino Unido permite que mochileiros britânicos permaneçam por dois ou três anos sem cumprir os 88 dias de trabalho regional. O limite de idade para esse grupo também subiu de 30 para 35 anos.
Segundo o ministro do Interior, Tony Burke, o número de britânicos com vistos de férias e trabalho mais que dobrou, chegando a quase 80.000, ante um pico anterior de 35.000.
O fundador do Backpacker Job Board, Matthew Heyes, disse que o governo passou a aprovar vistos lentamente em julho. O processamento, que costumava levar de dois a três dias, passou a durar semanas ou meses. Burke afirmou que os prazos voltariam ao normal.
O setor também relata queda nas reservas. Max Gibson, gerente-geral do Mahony Group, disse que as reservas antecipadas estavam 25% abaixo do esperado para o restante do ano. A empresa administra três pubs e cinco albergues para mochileiros.
Laura, francesa de 28 anos, afirmou ter trabalhado por três meses como faxineira comercial para tentar permanecer por um terceiro ano e buscar um patrocinador permanente. “Estamos fazendo o que os australianos não querem fazer”, disse.








