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Como jovens políticos ligados a Nikolas Ferreira ampliaram o alcance do PL
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Como jovens políticos ligados a Nikolas Ferreira ampliaram o alcance do PL

Votações recordes em diferentes estados refletem o uso das redes sociais, a conexão com igrejas e a identificação com figuras políticas.

Jovens políticos de direita ligados a Nikolas Ferreira (PL-MG) conquistaram votações recordes em diferentes estados nas eleições para a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas. O movimento combina presença intensa nas redes sociais, apoio direto do deputado mineiro e conexões com igrejas.

Nikolas recebeu 3,11 milhões de votos e mais que dobrou o resultado de 2022, quando teve cerca de 1,4 milhão de votos em Minas Gerais. Aos 30 anos, ele superou o recorde anterior, de Eduardo Bolsonaro, que recebeu 1,8 milhão de votos em 2018 para representar São Paulo.

Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL-SP) teve 3.038.438 votos, aos 28 anos, e se tornou o segundo deputado federal mais votado da história do país. Vereador mais votado da capital paulista em 2024, com cerca de 160 mil votos, ele ampliou sua atuação digital e hoje reúne cerca de 5,2 milhões de seguidores no Instagram.

Durante a campanha, Pavanato apareceu ao lado de Nikolas em peças eleitorais. Para o analista político Creomar de Souza, o apoio do deputado mineiro foi fundamental para a visibilidade da candidatura. “O grande responsável pela construção da visibilidade da campanha de Pavanato nesta eleição foi Nikolas Ferreira”, afirmou.

Votações recordes em outros estados

No Espírito Santo, Lucas Polese recebeu 419.735 votos e se tornou o deputado federal mais votado da história do estado. Aos 29 anos, fez campanha com Nikolas e recebeu o apelido de “Nikolas capixaba”. Polese tem cerca de 290 mil seguidores no Instagram e se tornou um dos principais opositores do ex-governador Renato Casagrande (PSB).

No Ceará, André Fernandes (PL) foi reeleito deputado federal com 684.372 votos, em uma votação recorde que superou nomes tradicionais da política, como Ciro Gomes. Aos 29 anos, ele ganhou notoriedade produzindo vídeos de humor e, depois, sobre política. Também recebeu apoio de Nikolas no estado.

No Paraná, Guilherme Kilter (Novo), de 24 anos, obteve 269.832 votos e foi o segundo deputado federal mais votado. Vereador de Curitiba, ele reúne cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram e recebeu apoio público de Nikolas, embora não seja filiado ao PL.

O movimento também alcançou a disputa para a Assembleia Legislativa. Em São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), vereadora de Praia Grande, foi a candidata mais votada, com mais de 1,9 milhão de votos. Aos 23 anos, ela é aliada de Pavanato, defende pautas conservadoras e de direita e tem mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram.

Redes sociais, identificação e igrejas

Para Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, esses políticos dominam a linguagem das redes sociais e transformam confrontos, memes e cortes em conteúdo político. “São, em síntese, jovens digitais numa política ainda analógica”, afirmou.

Eliara Santana, doutora em Estudos Linguísticos pela Unicamp e pesquisadora do Observatório das Eleições/IEPI, avalia que o fenômeno vai além da figura do político influenciador. Para ela, redes sociais e política passaram a formar uma mesma esfera, na qual a identidade política é construída também por meio do conteúdo digital.

Carlos Machado, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), afirma que há uma reprodução da técnica usada por Nikolas. Segundo ele, as plataformas reforçam a escolha baseada na identificação simbólica com o candidato por meio da exposição direta e contínua ao eleitor.

Santana também aponta a conexão com igrejas como parte da organização dessa militância e da circulação dos discursos. Nikolas tem ligação com a Igreja Batista da Lagoinha; André Fernandes tem ligação familiar com a Assembleia de Deus no Ceará; e Pavanato mantém atuação junto à Igreja Católica.

Na avaliação da pesquisadora, a expansão desse modelo integra política, religião e redes sociais. Ela afirma que Nikolas se desenvolveu a partir de um modelo político-discursivo-midiático associado à extrema direita, às igrejas neopentecostais e ao bolsonarismo, que passou a se espalhar pelo Brasil.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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