A reta final da disputa presidencial ainda é marcada pela indecisão, e parte dos eleitores deve esperar o último debate antes de definir o voto. A avaliação é de Márcia Cavallari, diretora de Opinião Pública da Ipsos. Segundo ela, a decisão costuma ser tomada mais tarde principalmente na escolha para o Senado.
Cavallari afirmou que a campanha teve pouca discussão de propostas e foi concentrada em escândalos. Para a especialista, a falta de confronto de ideias deixou o eleitor inseguro sobre a escolha.
Pesquisas espontâneas indicam que cerca de 3 a cada 10 eleitores ainda não sabem em quem votar para presidente. A especialista também apontou a abstenção como uma variável relevante, com possibilidade de variação conforme a região do país e o perfil dos eleitores de cada candidato.
Voto útil e cenário do primeiro turno
Cavallari avaliou que a eleição presidencial está muito polarizada e que mudanças entre os eleitores de candidatos menos bem posicionados podem alterar o quadro. A possibilidade de definição no primeiro turno, porém, foi classificada por ela como de baixa probabilidade.
O antipetismo e o antibolsonarismo também podem influenciar o chamado voto útil, quando o eleitor deixa de escolher sua primeira opção para tentar impedir a vitória de outro candidato. A especialista ainda citou a possível migração de votos de candidatos menores para os principais nomes da disputa.
Para Cavallari, a ausência de todos os principais candidatos no último debate reduz uma oportunidade de discussão sobre as pautas do país. “O eleitor fica esperando sempre o último debate, é o marco final da campanha”, afirmou.
Redes sociais e escolha para o Senado
Dados da Ipsos mostram que, em 2022, a televisão era a principal fonte de informação eleitoral para 43% dos eleitores, enquanto as redes sociais apareciam com 17%. Neste ano, a televisão permaneceu em 43%, e as redes sociais chegaram a 40%. Para Cavallari, o aumento amplia a vulnerabilidade a fake news e informações que não correspondem aos fatos.
Ela explicou ainda que a intenção de voto para senador é mais difícil de medir porque o eleitor tende a deixar essa escolha para o fim da votação. Historicamente, segundo a especialista, esse voto também pode ser influenciado pelo candidato ao governo ou à Presidência do mesmo partido.








