São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00% São Paulo 23°C 18° / 28°
A notícia como ela é
Maria Leopoldina teve papel decisivo na independência e governou o Brasil em 1822
Mundo

Maria Leopoldina teve papel decisivo na independência e governou o Brasil em 1822

Regente durante a viagem de dom Pedro a São Paulo, a imperatriz assinou a independência antes do grito do Ipiranga.

Maria Leopoldina foi a primeira mulher a governar o Brasil e teve participação direta na separação do país de Portugal. Em 1822, enquanto dom Pedro estava em viagem a São Paulo, ela permaneceu no palácio imperial como regente e assinou a independência em 2 de setembro. Cinco dias depois, o marido recebeu a notícia e proclamou o famoso grito às margens do rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1822.

Nascida em Viena, na Áustria, em 22 de janeiro de 1797, Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena era filha de Francisco 1º, imperador austríaco, e pertencia à família Habsburgo. Aos 20 anos, casou-se por procuração com Pedro de Bragança, futuro dom Pedro 1º, em uma união planejada para aproximar diplomaticamente Áustria e Portugal.

Formação e atuação política

Leopoldina chegou ao Brasil após uma viagem de navio de seis meses. Com ela vieram pintores, cientistas e botânicos europeus que formaram a Missão Científica Austríaca. A princesa falava 11 idiomas, estudava diferentes áreas do conhecimento e havia sido preparada para exercer funções de governo.

Para a professora Maria Celi Chaves Vasconcelos, da UERJ, Leopoldina cumpriu o papel esperado de uma princesa de sua época. Já a historiadora Cecilia Helena L. de Salles Oliveira afirma que o período em que ela exerceu o poder foi curto, mas fundamental para o país.

O escritor Paulo Rezzutti defende que a imperatriz teve uma atuação política mais ampla do que a imagem tradicional de esposa de dom Pedro 1º e mãe de dom Pedro 2º. Segundo ele, Leopoldina chefiou o conselho de Estado que aconselhou a independência e participou de decisões como a contratação de militares estrangeiros para organizar o Exército brasileiro contra forças portuguesas.

A interpretação sobre sua postura divide especialistas. Rezzutti considera revolucionária a decisão de permanecer no Brasil e declarar o “Fico” antes de dom Pedro. Vasconcelos, porém, afirma que não havia rebeldia em seus escritos e que Leopoldina agiu com base no conhecimento da conjuntura política e no temor de uma revolução popular em Portugal.

Educação, ciência e legado

A imperatriz incentivou a imigração europeia, primeiro com a chegada de suíços ao Rio de Janeiro, onde foi fundada Nova Friburgo, e depois com a vinda de alemães para o sul do Brasil. Também levou sua biblioteca ao país, apoiou estudos de História Natural, coletou minerais e caçou pequenos mamíferos.

Leopoldina era conhecida por fazer caridade e, segundo Vasconcelos, era contra a escravidão. Ela morreu aos 29 anos, em 11 de dezembro de 1826, após viver nove anos no Brasil. Estava grávida e perdeu o filho no leito de morte. A causa da morte permanece objeto de divergências: há versões sobre violência física praticada por dom Pedro 1º e outra que aponta septicemia puerperal.

Cerca de mil cartas escritas por Leopoldina à família estão guardadas no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Os documentos relatam as humilhações vividas no casamento e são usados por pesquisadores para reavaliar a imagem da imperatriz, frequentemente apresentada apenas como uma mulher triste e submissa.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5