ASSUNÇÃO — Cerca de 200 trabalhadores, a maioria brasileiros, foram encontrados em uma empresa de teleatendimento durante uma operação que apura suspeitas de exploração trabalhista e possível tráfico internacional de pessoas no Paraguai.
A ação ocorreu na quarta-feira, 16, em um prédio na região de Aviadores del Chaco e Santa Teresa, em Assunção. A denúncia que levou à operação foi encaminhada pela chancelaria paraguaia ao Ministério Público.
A investigação deve verificar as condições oferecidas pela empresa, o processo de contratação e a forma como os trabalhadores chegaram ao país. As autoridades também apuram se houve falsas promessas e posterior submissão a condições de exploração.
Situação migratória
Mais de 40% dos brasileiros encontrados estavam em situação migratória irregular, segundo Humberto Aquino, comissário principal da Polícia Nacional do Paraguai. O Ministério do Trabalho paraguaio identificou ainda problemas relacionados à situação formal dos funcionários.
A denúncia inicial foi apresentada por uma brasileira ao Ministério das Relações Exteriores do Paraguai. Ela teria sido recrutada por plataformas digitais para trabalhar no país. A partir desse relato, os investigadores passaram a examinar as condições de trabalho e a contratação feita pela empresa.
O call center funcionava no térreo e nos dois primeiros andares do edifício. Conforme Aquino, havia entre 50 e 70 pessoas em atividade em cada um dos espaços.
Durante a operação, agentes apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos, que serão analisados no curso da investigação. O caso é tratado, neste momento, como possível tráfico internacional de pessoas para exploração laboral. As autoridades ainda não confirmaram que todos os trabalhadores sejam vítimas desse crime.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que não recebeu pedidos de assistência consular dos brasileiros envolvidos. O Paraguai mantém representação consular brasileira em Assunção, responsável pelo atendimento a brasileiros na região.








