Vinte e cinco anos depois dos atentados de 11 de Setembro, o terrorismo doméstico passou a ser visto pelos americanos como uma ameaça maior do que ataques cometidos por grupos estrangeiros. Levantamento realizado entre 28 e 31 de agosto mostra que 33% apontam extremistas do próprio país como o principal risco à segurança da população, enquanto 20% citam o terrorismo estrangeiro. Outros 42% mencionam atos aleatórios de violência, como massacres em escolas.
Quando a pergunta trata especificamente de ataques motivados por ideologia, a diferença aumenta: 61% consideram extremistas domésticos mais perigosos, ante 34% que apontam grupos vindos do exterior.
Mudança em relação a 2013
O resultado é diferente do registrado em levantamentos de meados de 2013. Naquele período, 21% classificavam o terrorismo doméstico como a principal ameaça, sete pontos percentuais abaixo dos 28% que apontavam terroristas estrangeiros. Os atos aleatórios de violência preocupavam mais, com 51% das respostas.
Em 11 de setembro de 2001, integrantes da Al-Qaeda lançaram aviões contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono. O atentado matou mais de 3 mil pessoas e foi seguido por décadas de guerra, incluindo a invasão do Afeganistão, onde a organização terrorista estava sediada.
A Al-Qaeda também inspirou o atentado a bomba na Maratona de Boston, em 2013, que matou quatro pessoas e deixou mais de 260 feridas. Nos Estados Unidos, outros ataques tiveram inspiração interna, incluindo o tiroteio de 2016 que matou 49 pessoas em uma boate gay na Flórida e ações contra americanos negros, latinos ou judeus. Donald Trump também enfrentou ao menos três tentativas de assassinato, entre elas um ataque a tiros em 2024 que atingiu de raspão sua orelha.
Avaliação das medidas adotadas
Apesar da mudança na percepção de ameaça, 60% dizem pensar periodicamente nos atentados de 11 de Setembro. Uma proporção semelhante apoiaria uma resposta militar caso ocorresse outro episódio desse tipo.
Ao mesmo tempo, 48% avaliam que a guerra no Afeganistão não valeu a pena, e 51% dizem o mesmo sobre o conflito no Iraque. Ambos têm cerca de 20% de aprovação. O conflito iniciado pelo governo Trump contra o Irã tem apoio de 25%, enquanto 54% consideram que não valeu a pena.
Cerca de 60% acreditam que a resposta do governo dos Estados Unidos aos atentados foi, pelo menos em parte, eficiente para evitar novos ataques em território americano. Entre eleitores republicanos, esse índice chega a 80%.
O reforço da segurança nos aeroportos após os ataques é aprovado por 71% dos democratas e 75% dos republicanos. Já a proposta do governo Trump de privatizar esse serviço tem 23% de apoio e 48% de rejeição.
A vigilância interna é menos aceita. Ao menos 65% se opõem à autorização para que agências de inteligência monitorem comunicações eletrônicas de cidadãos comuns sem mandado judicial. A lei que permitia a prática expirou há dois meses, e a Casa Branca de Trump pediu ao Congresso a extensão da medida.
O levantamento ouviu 1. 167 americanos em todo o país e teve margens de erro entre 3 e 6 pontos percentuais.








