NOVA YORK — A reunião entre a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou críticas de venezuelanos dentro e fora do país. O encontro ocorreu às margens da Assembleia Geral da ONU e foi o primeiro entre os dois desde a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana em janeiro.
Manifestantes em Caracas, Nova York e Doral, na Flórida, acusaram Trump de apoiar um governo que consideram ilegítimo. Em Doral, a analista política Liz Rebecca Alarcón disse que a presença de Rodríguez na Assembleia Geral e o encontro com Trump legitimam “uma pessoa que está injustamente na Venezuela”.
Alarcón afirmou que a transição para eleições livres parece mais distante e classificou como frustrante o tratamento dado por Trump a Rodríguez como uma presidente legítima. Adeys Ferro, diretora do Venezuelan American Caucus, disse que a reunião é “um tapa na cara da possibilidade de termos eleições presidenciais democráticas, limpas e transparentes em breve”.
As duas também lembraram que Rodríguez foi vice-presidente de Maduro e integrava o governo que consideram responsável por crises políticas e econômicas e pela emigração de cerca de 7,9 milhões de venezuelanos.
Protestos em Caracas
Em um protesto nas ruas da capital venezuelana, Nuris Medina e Doménica Riobueno criticaram a participação de Rodríguez na Assembleia Geral, o encontro com Trump e o apoio recebido por ela. Filomena Gómez afirmou que a Venezuela rejeita a presidente interina e pediu eleições imediatas.
A viagem de Rodríguez ocorreu quase nove meses após a prisão de Maduro e sua posse como presidente interina. Maduro foi transferido para Nova York em 3 de janeiro para responder a acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e crimes relacionados a armas, que ele nega.
A aproximação entre Rodríguez e os Estados Unidos inclui um acordo petrolífero anunciado no final de agosto, que concede aos americanos o controle de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. Parte dos venezuelanos vê a medida como uma chance de atrair investimentos e reativar a indústria; outros dizem que os Estados Unidos pretendem se apropriar dos recursos do país.
O ex-diplomata e ex-prefeito de El Hatillo Reinaldo Díaz Ohep afirmou que o chavismo não mudou nem se democratizou, mas apenas se adaptou para sobreviver a Trump. Para ele, a reaproximação pode prejudicar uma futura aliança entre uma Venezuela democrática e os Estados Unidos.
A presença de Rodríguez na ONU, o encontro com Trump e o discurso dela na Assembleia Geral indicam que o apoio da Casa Branca continua, pelo menos por enquanto.








