ALEMANHA — A Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece na liderança das eleições estaduais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, com 38% dos votos, enquanto o partido de esquerda Die Linke está à frente em Berlim, com 26%, segundo pesquisas de boca de urna. Os resultados aumentam a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz e a União Democrata-Cristã (CDU).
No estado do nordeste alemão, a CDU registra 5%, pouco acima da cláusula de barreira para obter representação no Parlamento estadual. O Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, aparece em segundo lugar, com 36,5%. A legenda governa a região com a candidata Manuela Schwesig, que ocupa o cargo desde 2017.
O avanço da AfD ocorre duas semanas depois de a legenda obter 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, seu melhor desempenho até então em uma eleição estadual. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido defendeu a deportação em massa de migrantes sem documentação, o fim da ajuda militar à Ucrânia e relações mais próximas com a Rússia.
Disputa em Berlim
Na capital, a CDU e os Verdes aparecem atrás do Die Linke. Moradia e aluguéis foram apontados como a principal preocupação dos eleitores por 32% dos entrevistados em uma pesquisa do instituto Infratest dimap. Cerca de 85% das famílias da cidade vivem em imóveis alugados.
O Die Linke defende regras mais rígidas para o mercado de aluguéis, incluindo a desapropriação de grandes empresas privadas do setor imobiliário. No encerramento da campanha, a líder do partido, Elif Eralp, afirmou: “Não é uma lei da natureza que os ricos fiquem mais ricos”.
A AfD aparece em quarto lugar em Berlim, com 13,5%. Na eleição para o Parlamento estadual, em 2023, o partido havia obtido 9,1% dos votos.
Reação de Merz
Durante um discurso após a divulgação das projeções, Merz classificou o resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como um “desastre”. Ele defendeu reformas para enfrentar os problemas econômicos e as divisões na Alemanha.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, comemorou o desempenho e disse que o partido havia ultrapassado a CDU. Também afirmou que Merz está enfraquecido e que a legenda não poderá continuar com ele como líder.
Antes das projeções deste domingo, o pior resultado da CDU em uma eleição estadual havia sido registrado em 1951, quando o partido alcançou 9% em Bremen.








