RIO DE JANEIRO — Uma assessora do senador Flávio Bolsonaro tratou com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, da liberação de emendas parlamentares para um projeto de futebol no Rio de Janeiro. Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
O repasse, de R$ 199 mil, foi destinado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, localizado no bairro Taquara. A região é apontada como área de influência dos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, condenados como mandantes da morte de Marielle.
A Polícia Federal identificou indícios de desvio de recursos no envio da verba. As informações estão baseadas em conversas extraídas do celular de Calixto, apreendido em março de 2024 durante uma investigação relacionada ao caso Marielle.
Mensagens e pedidos
Nos diálogos, Calixto pede ajuda ao senador para obter recursos para o projeto. A assessora Maria de Fátima Bezerra Castro orienta o envio de um email ou ofício com a solicitação. Em outra conversa, ele pergunta se Flávio poderia ajudar durante uma viagem a Brasília.
As mensagens continuaram até março de 2024. Calixto cobrou notícias sobre a liberação dos recursos e pediu que o senador não esquecesse o Ifop. Em 22 de março de 2024, escreveu: “Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo”.
Os registros também mostram Maria de Fátima pedindo 4 ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador. Os investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida.
Em outubro de 2023, a assessora convidou Calixto para uma cerimônia de entrega de coletes à Polícia Militar do Rio. Ela sugeriu que ele levasse Chiquinho Brazão para cobrar pessoalmente Flávio sobre os recursos.
A assessoria de Flávio afirmou que os repasses seguiram a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse ainda que a entidade apresentou notas fiscais, devolveu valores não utilizados e que a execução dos recursos cabe à instituição beneficiária.
Calixto foi condenado a 9 anos de reclusão por integrar uma milícia. Chiquinho e Domingos Brazão receberam, cada um, pena de 76 anos e 3 meses de prisão. O advogado de Calixto não respondeu aos contatos. A defesa de Chiquinho não se manifestou, e a defesa de Domingos disse não cuidar do tema das emendas.








