A atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a ocupar o centro das discussões sobre a eleição presidencial brasileira. O governo brasileiro adotou medidas para proteger o processo eleitoral diante do temor de interferência americana na reta final da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
A eleição é tratada como um teste para a estratégia de Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e estreitar relações com governos e movimentos de direita. Desde o retorno do republicano à Casa Branca, candidatos conservadores venceram as últimas sete eleições presidenciais realizadas na região.
Trump não declarou apoio público a nenhum dos candidatos. Ainda assim, medidas adotadas por seu governo podem favorecer indiretamente Flávio Bolsonaro. Entre elas estão a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, defendida pelo senador, além de sanções contra autoridades brasileiras.
Também são citados a aplicação, já suspensa, da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o tarifaço sobre mercadorias brasileiras, questionamentos sobre as urnas eletrônicas e ofensivas nos setores de segurança e minerais estratégicos.
Em março, durante o CPAC, no Texas, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil poderia se tornar “o mais poderoso aliado” dos Estados Unidos no hemisfério ou um “antagonista”, dependendo do resultado da eleição. Não está claro, porém, se as medidas terão o efeito esperado. Elas também poderiam ampliar o apoio a Lula, em uma reação contrária a Trump.
Ações contra interferência
Órgãos brasileiros de inteligência passaram a tratar a manipulação estrangeira nas redes sociais como prioridade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotou medidas contra a desinformação e pediu a Google e Meta planos para enfrentar conteúdos enganosos produzidos com inteligência artificial.
Diplomatas da União Europeia, do Canadá, do Japão, da Austrália e de outros países discutem como reagir a possíveis tentativas de interferência após a eleição. Observadores internacionais ampliaram o acompanhamento do pleito.
O Centro Carter, grupo independente de monitoramento sediado nos Estados Unidos, concordou em enviar especialistas ao Brasil, motivado em parte por preocupações com interferências. A campanha de Flávio Bolsonaro e o Departamento de Estado americano não responderam aos pedidos de comentário.








