Autoridades brasileiras prepararam medidas para proteger o processo eleitoral diante do temor de uma possível interferência do governo de Donald Trump nas eleições presidenciais deste ano. O plano prevê o monitoramento de lobby estrangeiro, o rastreamento de campanhas de desinformação nas redes sociais e o combate a acusações falsas de fraude eleitoral.
Também há articulação com outros países para uma resposta conjunta depois da divulgação do resultado. Missões diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países mantêm conversas informais sobre o tema. Diplomatas estrangeiros afirmaram que essas nações devem defender rapidamente a integridade da eleição, independentemente de quem vencer, embora exista receio de um confronto direto com os Estados Unidos.
Monitoramento e redes sociais
As agências de inteligência brasileiras passaram a tratar como prioridade o combate à manipulação estrangeira nas redes. Entre os casos acompanhados estão publicações impulsionadas a partir dos Estados Unidos que citam mercados de previsões e apostas, como o Polymarket, e apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL) com mais chances de vitória.
Esse cenário diverge das pesquisas eleitorais, que não apontam favoritos. A avaliação apresentada é de que campanhas online vindas do exterior podem estar ajudando Flávio Bolsonaro. O presidente norte-americano não declarou apoio direto ao senador, mas teria impulsionado indiretamente sua candidatura.
Há cerca de um mês, o governo Trump rejeitou as acusações brasileiras de tentativa de interferência. A administração norte-americana também havia tentado enviar uma delegação ao país no verão para investigar a integridade eleitoral brasileira.
Receio de contestação
Autoridades brasileiras afirmaram que uma eventual ajuda dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro poderia ocorrer por meio de novas medidas para desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo brasileiro iniciou uma campanha, com direito a mascote, para fortalecer a confiança de eleitores, diplomatas e observadores internacionais.
Também existe preocupação de que, caso perca, Flávio Bolsonaro lance acusações semelhantes de fraude eleitoral. A expectativa é de que Trump apoie essa iniciativa. Uma vitória do senador, por outro lado, reforçaria a tentativa de influência e controle do presidente norte-americano sobre a América Latina, ao lado de aliados de direita.
O plano foi divulgado em reportagem publicada na segunda-feira (28/9). Foram ouvidos mais de uma dezena de funcionários do governo e do setor eleitoral brasileiros, policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros.








