SÃO PAULO — O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apuração de possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A notícia de fato foi protocolada nesta sexta-feira (4) e encaminhada ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero.
O parlamentar quer que as informações sejam incorporadas ao caso já em andamento. A representação menciona declarações atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sobre supostos pagamentos de propina ocultados por meio de doações oficiais às campanhas de Tarcísio para o Governo de São Paulo, em 2022, e de Bolsonaro à Presidência da República.
De acordo com o documento, as doações teriam sido feitas formalmente pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Os valores indicados são de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro.
A possível vantagem relacionada aos repasses envolveria a permanência do Credcesta, produto de crédito consignado do grupo Banco Master, entre as opções disponíveis na folha de pagamento dos servidores públicos do Estado de São Paulo. A petição também menciona suspeitas de transferências equivalentes a 5% do resultado líquido da operação no estado e cerca de R$ 10 milhões em pagamentos não declarados, em dinheiro, que teriam sido direcionados depois a campanhas eleitorais.
Diligências solicitadas
Santana pediu que a Procuradoria-Geral da República seja ouvida e listou medidas como o acesso às propostas de colaboração de Daniel Vorcaro, a apuração da origem das doações e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabiano Zettel. Também solicitou relatórios do Coaf e documentos do Governo de São Paulo sobre o Credcesta.
Segundo o deputado, os fatos podem configurar, em tese, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro e os demais citados negam irregularidades.
A apresentação da notícia de fato não abre automaticamente uma investigação. O STF e a Procuradoria-Geral da República ainda devem analisar o pedido e decidir se instauram procedimentos.








