Luiz Inácio Lula da Silva tem evitado citar diretamente Alexandre de Moraes ao comentar a crise provocada por um relatório da Polícia Federal sobre a relação do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. A estratégia busca atender ao eleitorado sem comprometer a aliança construída pelo presidente com integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Na quinta-feira 3, Lula defendeu mudanças nas instituições e afirmou: “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer.” No dia seguinte, ao lado do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, declarou que ninguém pode usar o cargo em benefício próprio. Moraes não foi mencionado nas duas ocasiões.
A cautela ocorre porque pesquisas internas da equipe presidencial indicam que uma associação entre Lula e a reputação de Moraes pode reduzir o apoio ao petista. Dirigentes do PT já defendem que o presidente fale em reformas no Judiciário sem direcionar críticas específicas a ministros.
A crise também repercute na campanha presidencial. O senador Flávio Bolsonaro, que aparece empatado com Lula nas simulações de segundo turno, voltou a apoiar a aprovação, pelo Senado, de um pedido de impeachment contra Moraes. A medida é uma pauta antiga da oposição e tem apelo entre parte do eleitorado.
Aliança com o Supremo
Desde o início do terceiro mandato, o governo recorreu ao STF para tentar reverter derrotas no Congresso, onde os partidos de esquerda são minoritários. Decisões e manifestações públicas de ministros também foram usadas para pressionar parlamentares.
A aproximação ganhou força depois que Moraes intermediou uma reunião entre Lula e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Os dois estavam rompidos após a Casa rejeitar Jorge Messias para uma vaga no STF. O entendimento incluiu o avanço da proposta que encerra a escala de trabalho 6 x 1, uma das principais bandeiras eleitorais de Lula.
O relatório da Polícia Federal descreveu como imprópria a relação entre Moraes e Vorcaro e provocou forte repercussão nas redes sociais. O caso coloca o Supremo diante da necessidade de decidir entre investigar um de seus integrantes ou não avançar sobre o episódio.
Lula tem conversado com ministros da Corte para definir como tratar do assunto. A preocupação aumenta diante da possibilidade de, caso vença a eleição presidencial, enfrentar um Congresso ainda mais alinhado à direita.








