O relatório da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse contraria a explicação apresentada pelo senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. O documento afirma que o fundo norte-americano Havengate ficou sem atividade operacional por quase quatro anos antes de receber recursos ligados à produção.
O relatório foi divulgado depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo das investigações na 6ª feira (11.set.2026). Criado em 2020, nos Estados Unidos, o Havengate recebeu o primeiro repasse do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em fevereiro de 2025.
A Polícia Federal registra que o fundo permaneceu juridicamente ativo, mas sem operação pública registrada, até a transferência de US$ 2.000.000, feita em 13 de fevereiro de 2025 pela Entre Investimentos para financiar o filme. De acordo com a investigação, a empresa repassou ao fundo norte-americano recursos de Vorcaro.
Versão apresentada por Flávio
Em entrevista à GloboNews, em maio, Flávio afirmou que o Havengate havia sido criado exclusivamente para a realização do filme. Também disse que escolheu o fundo porque Paulo Calixto, seu administrador, era um advogado de confiança de Eduardo Bolsonaro, e negou que os recursos tivessem beneficiado o irmão nos Estados Unidos.
O relatório, porém, aponta que o fundo havia sido criado originalmente para fins imobiliários e que ficou dormente por anos, sem operação imobiliária ativa. Para a PF, essa reativação como instrumento de remessas internacionais para uma produção cinematográfica reforça a necessidade de verificar se o veículo financeiro era compatível com a destinação declarada.
Paulo Calixto é advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Entre os documentos liberados, há uma manifestação da Procuradoria-Geral da República segundo a qual Eduardo orientou os recursos nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro foram procurados para comentar o relatório, mas não haviam respondido até a publicação das informações.








