A rejeição aparece como um dos principais desafios de Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República. Na primeira pesquisa Datafolha desta campanha, 46% dos eleitores disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum, enquanto 45% afirmaram o mesmo sobre Lula.
O histórico recente mostra que candidatos competitivos também podem estar entre os mais rejeitados. Em 2014, Dilma Rousseff iniciou a disputa na liderança das intenções de voto, mas registrava 35% de rejeição. Em agosto de 2018, Jair Bolsonaro tinha 39% de rejeição. Em 2022, Lula era rejeitado por 37% dos eleitores, índice inferior apenas ao de Bolsonaro, que chegava a 51%. Os dados foram registrados na primeira pesquisa Datafolha após o início oficial das três campanhas.
O que influencia a rejeição
O nível de conhecimento dos candidatos, as polêmicas envolvendo os políticos e a percepção de que eles não compartilham os mesmos valores dos eleitores estão entre os fatores que podem levar alguém a declarar que não votaria em determinado nome.
Flávio e Lula também enfrentam, respectivamente, a resistência de eleitores identificados com o antibolsonarismo e o antipetismo. Para o cientista político e professor do Insper Carlos Melo, esses são os dois blocos políticos mais fortes do país, mas a força de cada um depende do contexto.
A rejeição é considerada decisiva porque um candidato rejeitado por mais de 50% dos eleitores não teria condições de avançar no pleito. Por isso, os dois grupos buscam estratégias para mudar a percepção do eleitorado.
O cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais Leonardo Avritzer citou medidas como a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil reais e o Desenrola como parte da estratégia de Lula. Segundo ele, essas ações podem aumentar a satisfação dos indivíduos com o governo.
Avritzer também afirmou que Flávio tenta reduzir a rejeição entre as mulheres, grupo no qual é mais criticado. As estratégias podem alcançar eleitores que rejeitam um candidato sem, necessariamente, apoiar completamente o adversário.
Melo defendeu que a população avalie propostas além da polarização. Ele afirmou que os debates deveriam incluir temas como educação e saúde nos governos estadual e federal. Os planos de governo podem ser consultados no site do Tribunal Superior Eleitoral, com as propostas dos candidatos para o estado e o país.








