SÃO PAULO — Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado e anunciou apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), depois de meses de ataques ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. A mudança foi anunciada nesta segunda-feira, 28 de setembro, ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
Durante a campanha, Salles acusou Prado de manter no entorno político um ex-assessor condenado por estupro de vulnerável e sugeriu que o deputado teria acobertado o caso. José Renato da Silva trabalhou como assessor de André entre 2013 e 2015 e depois atuou na liderança partidária até 2022. Em 2023, ele foi condenado, em primeira instância, a 40 anos de prisão por crimes contra duas netas.
André do Prado negou as acusações. Disse que não tinha conhecimento dos crimes e que o funcionário foi afastado quando as denúncias se tornaram públicas. A Justiça Eleitoral considerou falsas parte das afirmações de Salles sobre o deputado.
Acusações durante a campanha
Em 15 de setembro, o TRE-SP determinou a retirada de três vídeos de Salles e aplicou multa de R$ 5 mil por “desinformação difamatória”. Entre os conteúdos considerados falsos estava a afirmação de que André do Prado e o suplente seriam investigados por desvios relacionados à merenda escolar.
Salles também atacou a relação de Prado com o Centrão, Valdemar Costa Neto e o PT. Em um debate, afirmou que integrantes do PL tinham “rabo preso” com Valdemar. Em outro, chamou André de “marionete de Valdemar Costa Neto”.
Em julho, ao ser questionado sobre a disputa entre três candidaturas do mesmo campo político por duas vagas, Salles declarou: “Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir”. Em maio, havia afirmado que não existia “a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado”.
A desistência ocorreu a seis dias do primeiro turno. No Datafolha divulgado em 24 de setembro, André e Derrite tinham 12% das intenções de voto, enquanto Salles aparecia com 4%. Marina Silva registrava 15% e Simone Tebet, 14%.









