O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou a convocação de eleições gerais para 29 de novembro. O pleito, que estava previsto para meados de 2027, foi antecipado após o Congresso rejeitar medidas do governo contra a crise da moradia.
Sánchez, no cargo desde 2018, afirmou que a renovação das Cortes Gerais será formalizada após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministras e Ministros. Em mensagem no Palácio de Moncloa, em Madri, disse que precisa ampliar o apoio parlamentar para aprovar reformas e reduzir a desigualdade.
A decisão ocorre em um cenário de dificuldades para o governo de coalizão minoritário. Pesquisas recentes colocam o conservador Partido Popular (PP), principal força de oposição, à frente dos socialistas. As projeções, porém, indicam que nenhum dos dois grupos teria maioria absoluta. O Vox, de extrema direita, aparece como possível força decisiva para a formação de um governo.
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, defendeu a realização das eleições e afirmou que os espanhóis terão a palavra. Ele havia pedido a antecipação do pleito durante meses.
Moradia domina disputa
A rejeição das medidas ocorreu após uma onda de protestos contra o encarecimento da habitação. As manifestações foram desencadeadas pelo despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que deixou o apartamento onde viveu por sete décadas. O imóvel foi comprado por uma empresa de investimento que pretendia elevar o aluguel em 275%.
No sábado, dezenas de milhares de pessoas protestaram em Madri e em outras cidades espanholas. Centenas permanecem acampadas há uma semana na Praça Puerta del Sol, na capital, para pressionar por reformas. A crise da moradia deve ocupar espaço central durante a campanha eleitoral.
Nas eleições gerais de julho de 2023, Sánchez permaneceu no cargo por margem estreita após obter o apoio de partidos catalães favoráveis à independência. O acordo envolveu a promessa de uma lei de anistia para pessoas ligadas à tentativa de independência da Espanha em 2017.
O primeiro-ministro também enfrenta escândalos e processos judiciais envolvendo pessoas próximas, entre elas sua esposa e ex-colaboradores do Partido Socialista. Aos 54 anos, é alvo ainda de críticas pela gestão da crise em Ceuta, onde milhares de migrantes entraram a partir do Marrocos no fim de julho. Mais de dois meses depois, a situação continuava sem resolução.








