O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Nesta terça-feira (8), ele também cobrou uma resposta do Senado diante das suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Tarcísio afirmou que Mendonça apresentou justificativas para a decisão e considerou que o afastamento é o caminho a ser seguido. Segundo o governador, autoridades responsáveis por investigações relevantes para o Brasil não podem sofrer constrangimento ilegal.
A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter a decisão cautelar de Mendonça, que também afastou o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, mas a determinação continua em vigor.
Mendonça declarou ter sido alvo de monitoramento ilegal pela inteligência da PF e citou a produção de relatórios sobre sua atuação. A decisão determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal investigue as circunstâncias relacionadas à elaboração dos documentos.
Cobrança ao Senado
Questionado sobre manifestações de aliados que defenderam o impeachment de Alexandre de Moraes nos atos de 7 de Setembro, Tarcísio não declarou apoio direto ao afastamento do ministro. Ele disse, porém, que o Supremo e o Senado precisam responder aos fatos revelados.
Na avaliação do governador, o STF deve esclarecer eventuais dúvidas sobre a compatibilidade das condutas de seus integrantes com o exercício da magistratura. Ao Senado, atribuiu o dever de fiscalizar e agir. “O Senado tem o dever de agir, tem o dever de fiscalizar”, afirmou.
Tarcísio também disse que a falta de atuação da Casa pode comprometer o sistema de freios e contrapesos. Para ele, a crise precisa ser enfrentada por meio de investigação, apuração e eventual responsabilização.
Críticas ao Supremo
O governador afirmou que o Supremo vive uma “crise de credibilidade” e defendeu medidas para recuperar a confiança nas instituições. Ele disse que isso não será possível com silêncio ou corporativismo.
Tarcísio explicou ainda que adotou, durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, um tom mais moderado sobre Moraes do que em 2025, quando chamou o ministro de “ditador”. Segundo ele, a resposta à situação deve ser institucional.
Sobre André Mendonça, o governador afirmou que o ministro representa uma esperança para o funcionamento das instituições de Estado. Também mencionou o presidente do STF, Edson Fachin, ao defender que ele tenha sabedoria para conduzir a Corte em uma situação delicada.
Ao concluir, Tarcísio disse que o Brasil precisa atravessar a crise com investigação, apuração e responsabilização, porque ninguém está acima da lei.








