O ator e diretor francês Arnaud Denis, de 43 anos, morreu nesta quarta-feira, 22, na Bélgica, após se submeter a um procedimento de eutanásia. Ele enfrentava dores crônicas desde uma cirurgia para correção de hérnia inguinal realizada em 2023.
A operação ocorreu em 17 de julho de 2023 e envolveu a colocação de uma prótese de polipropileno. O implante é usado para reduzir o risco de retorno da hérnia, mas, depois do procedimento, Denis passou a relatar dores que se agravaram ao longo dos três anos seguintes.
Em janeiro deste ano, o artista afirmou que as limitações tinham afetado sua rotina. “Não posso mais sair de casa, não tenho mais vida social, não tenho mais vida nenhuma”, disse em entrevista. Nos últimos anos, ele também criou fóruns na internet e passou a reunir relatos de outros pacientes com complicações semelhantes.
Debate sobre consentimento
Denis e outros pacientes sustentavam que não haviam sido informados sobre a possibilidade de desenvolver dores crônicas após a cirurgia, apresentada geralmente como um procedimento com poucos riscos. O caso deu origem a uma disputa judicial sobre consentimento informado.
De acordo com os advogados do ator, os materiais das próteses fabricadas pela Medtronic alertam profissionais de saúde para riscos de dores crônicas e agudas depois da operação. A defesa alegava que esse perigo não era explicado adequadamente aos pacientes durante as consultas. “É um escândalo sanitário silencioso”, afirmou.
Pedido de eutanásia
No começo de 2026, Denis concluiu que os médicos não tinham mais alternativas capazes de controlar as dores e recuperar sua qualidade de vida. Em março, ele foi internado em uma clínica de cuidados paliativos na Bélgica e aguardou a análise do pedido pelas autoridades sanitárias.
A eutanásia é legal no país desde 2002. Pela regra, o paciente precisa demonstrar que entende o procedimento, ter uma doença terminal sem tratamento capaz de aliviar o sofrimento e enfrentar dor intensa. Na eutanásia, os médicos administram as substâncias que provocam a morte.
O procedimento é diferente do suicídio assistido, no qual o médico prescreve as substâncias e o próprio paciente as aplica. As duas práticas são autorizadas por menos de 20 países. Na América Latina, o Uruguai passou recentemente a integrar essa lista.
A França, país natal de Denis, aprovou uma legislação sobre eutanásia em agosto deste ano, mas a norma ainda não entrou em vigor. A previsão é que isso ocorra apenas no ano que vem.








