ALEMANHA — A Aliança pela Alemanha (AfD) venceu as eleições regionais na Saxônia-Anhalt com 43,8% dos votos e conquistou 39 dos 83 assentos do Parlamento estadual. O resultado abriu a possibilidade de a extrema-direita chegar ao governo pela primeira vez desde a queda do regime nazista, mas a legenda ainda precisa de apoio para alcançar a maioria parlamentar.
A União Democrata Cristã (CDU), do primeiro-ministro Friedrich Merz, ficou em segundo lugar, com 17,2%. O Partido Social-Democrata teve 9,3%, os Verdes, 8,9%, e Die Linke, formada por antigos comunistas da República Democrática Alemã, alcançou 8,6%.
A Saxônia-Anhalt tem 2,1 milhões de habitantes. Embora seja um estado pequeno, o desempenho da AfD pode ter repercussões mais amplas na política alemã. A legenda já planeja chegar ao governo federal em 2029.
O alerta de Merz
Antes da votação, Merz afirmou em uma entrevista que ouvia, no Parlamento, deputados da AfD conversando sobre “destruir a CDU”, “destruir o sistema” e abandonar o euro, o Acordo de Schengen e a União Europeia.
Após o resultado, o primeiro-ministro descartou um acordo entre a CDU e a AfD. “Não há possibilidade de compromisso, pois nós temos diferenças fundamentais nos principais temas políticos”, disse Merz. Ele também afirmou que não deixaria a União Europeia ou a Otan.
Entre as propostas da AfD para a Saxônia estão a separação de crianças refugiadas em escolas especiais e a criação de uma força-tarefa para ajudar a deter e deportar imigrantes.
Reflexos fora da Alemanha
A expansão da ultradireita também aparece em outros países europeus. Na França, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen foi a opção que menos inquietou os eleitores consultados sobre as eleições presidenciais de 2027: 60% disseram se sentir menos preocupados com ela. O candidato de esquerda Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, foi citado por 81%.
O desempenho de Le Pen contrasta com a rejeição que o pai dela, Jean-Marie Le Pen, enfrentava nos anos 1980. Marine Le Pen suavizou o discurso e chama de “radicais” os alemães da AfD.
No Reino Unido, o primeiro-ministro trabalhista Andy Burnhan promove uma guinada à esquerda e defende maior aproximação com a Europa. Ele atribui parte da responsabilidade por uma década de baixo crescimento ao Brexit.
Na avaliação apresentada, o ressentimento provocado pela sensação de perda das condições de vida das décadas de pós-guerra pode favorecer posições antissistema. Na antiga Alemanha Oriental, que manteve um regime socialista por mais de 40 anos, estados ainda mais pobres após a reunificação se sentem deixados para trás, apesar dos investimentos federais. Esse ambiente é apontado como uma possível explicação para o avanço da AfD no leste alemão.








