SAXÔNIA-ANHALT — Ulrich Siegmund, provável futuro líder da AfD no estado alemão da Saxônia-Anhalt, defendeu a possibilidade de instalar uma fábrica de armamentos em Sangerhausen para gerar recursos destinados a futuras operações de deportação.
A declaração foi dada em entrevista coletiva na quinta-feira (10). Siegmund afirmou que a AfD não rejeita a produção militar voltada a objetivos internos. “Não condenamos a produção de equipamentos militares de forma generalizada”, disse. Segundo ele, os recursos seriam necessários para ações de repatriação, deportação, segurança interna e defesa nacional.
A empresa israelense Elbit Systems negocia a construção de uma unidade no local, conforme informações da emissora regional MDR. A fábrica produziria componentes para outras empresas alemãs. Autoridades municipais dizem que não seriam feitos sistemas completos de armas, drones ou projéteis de artilharia. O projeto poderia criar até 400 empregos. Um porta-voz da Elbit não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na sexta-feira (11), feriado em Israel.
Siegmund disse que a AfD acompanha o andamento do projeto e pretende avaliar quais produtos seriam fabricados. Um eventual apoio à iniciativa pode afetar as conversas com o BSW, partido populista de esquerda que não descartou cooperar com a AfD. O BSW também se opõe ao apoio militar alemão à Ucrânia e fez campanha contra a fábrica.
Planos da AfD
A AfD obteve quase 44% dos votos no domingo (6), mas não conquistou maioria absoluta no parlamento estadual. O partido tenta viabilizar um governo com o apoio individual de parlamentares conservadores.
Entre as propostas de Siegmund estão ampliar as vagas para pessoas que aguardam deportação, criar salas separadas para crianças refugiadas sem perspectiva de permanência e obrigar municípios a oferecer trabalho compulsório a requerentes de asilo. Durante a campanha, ele afirmou que a deportação não atingiria estrangeiros com emprego e direito legal de residência.
Na área de mídia, Siegmund quer retirar a Saxônia-Anhalt de um acordo entre os estados alemães. A medida abriria caminho para acabar com a taxa mensal de radiodifusão pública de € 18,36, substituída por um modelo financiado por impostos. Ele também propõe bandeiras alemãs em prédios públicos e uma campanha para estimular o orgulho nacional.
O programa inclui ainda um subsídio de 50% para a carteira de motorista de voluntários em serviços de emergência. A AfD também promete reduzir ministérios, cortar repasses a fundações políticas e revisar a resposta estadual à pandemia de COVID-19.








