SÃO PAULO — Antes de receber o MASP, o terreno abrigou o Belvedere Trianon, inaugurado em 1916 como um espaço voltado à elite política, econômica e intelectual da cidade. O local tinha restaurante de luxo, confeitaria, salões para festas e uma escola de dança de salão para moças e rapazes.
O mirante oferecia vista para o vale do riacho Saracura, canalizado nos anos 1920 para a construção da Avenida Nove de Julho, e para o vale do rio Anhangabaú. Do outro lado da via ficava o Parque Trianon, que completava a paisagem com uma área de natureza preservada.
Do restaurante ao ponto turístico
Com a crise do café no final da década de 1920, o público rico deixou de frequentar o Belvedere. O restaurante e os salões foram fechados, e o espaço passou a funcionar com um bar de sorvetes e refrigerantes. Os salões inferiores também receberam uma academia de dança administrada por Madame Poças Leitão (1884-1974), onde eram ensinados ritmos como fox trote e chá-chá-chá.
O local continuou como ponto turístico. Em 1928, começaram as obras do túnel Nove de Julho, interrompidas durante a Revolução de 1930. A construção foi retomada em 1935 e concluída com a inauguração em 1938.
Em 1951, o Belvedere Trianon foi demolido para a construção de um pavilhão que sediou a primeira edição da Bienal Internacional de São Paulo. O MASP, que funcionava na Rua 7 de Abril, na República, foi inaugurado no local em 1968.
O prédio atual é sustentado por duas vigas e tem um vão livre. As estruturas eram da cor do concreto e só receberam pintura vermelha em 1990, durante uma restauração.








